Sejam Bem Vindos!

Quero agradecer, carinhosamente, pela sua visita e espero que possamos continuar partilhando experiências, as quais considero-as importantes para manutenção de minha recuperação.
Sua partilha (comentários) aqui nos Posts, bem como seguir-me quando julgares conveniente, é importante para que possamos estreitar ainda mais a nossa amizade, algo que é fundamental para um crescimento em nível de ser humano...ainda mais quando se trata de um adicto em recuperação, como eu.
Por isso, mais uma vez, muito obrigado por sua presença!
Que bom que você veio! Que bom que você me visitou!
Melhor ainda será ler seus comentários e ver-te aqui, sempre que possível, ajudando-me dia-a-dia.
Que O PODER SUPERIOR continue te concedendo o direito de reconhecer, aceitar e realizar a Vontade DELE, em todas as suas épocas e lugares, para que só assim, possas continuar desfrutando destas Dádivas de renovados dias Limpos, Serenos e repletos de Saúde e Paz!
Abraços e TAMUJUNTU.
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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

SÓ POR HOJE - FUNCIONA!!

"Um adicto limpo por um dia é um verdadeiro Milagre!"

Entende-se por milagre a ação, o fato ou acontecimento que é impossível de explicar-se segundo as ciências naturais, atribuindo-se, então, o acontecido a um mover sobre-natural de ordem Divina, ou seja, a Deus.
Muitos religiosos, de todas as Religiões, pelo seu entendimento, pensam que Milagres custam à acontecer. Creditam à estes fatos um acontecimento, por vezes, secular ou mesmo milenar! (Se bem que alguns tipos de Milagres só acontecem mesmo a cada milênio).

"UM ADICTO LIMPO POR UM DIA É UM VERDADEIRO MILAGRE!"

Esta frase mostra como Milagres acontecem a cada dia, pois a cada dia, milhares de adictos permanecem limpos, sem usar drogas.
Cada novo dia, novos adictos começam a trabalhar um programa de recuperação, sugerido por ficar "limpo, só por hoje".
Cada novo dia, milhares de Milagres acontecem!
Todos os dias, em todo lugar do planeta, as drogas matam milhares de pessoas que usam ou vivem em torno do tráfico, ou mesmo são vítimas inocentes das atrocidades causadas pelo submundo das drogas.
Mas cada novo dia é um recomeço para quem quer livrar-se da adicção ativa!
Todos os dias temos que enfrentar situações que nos levariam indubitavelmente ao uso de drogas. Sempre lidamos com problemas de todos os tipos, mas, por estarmos num programa de não usar, só por hoje, isso facilita dizer "NÃO!" à primeira dose.

"O QUE EU FAÇO PELO MEU DIA LIMPO HOJE, NÃO GARANTE MEU DIA LIMPO AMANHÃ!".
Apesar de todo meu agnosticismo, sei que Milagres existem...pois eu sou um!
Só por hoje, eu não usei nada que altere minha mente ou meu humor!
Só por hoje, eu tentarei praticar o meu programa o melhor que puder!
Só por hoje, eu não tenho que usar drogas!
Farei com que hoje um novo Milagre aconteça em minha vida!
E tentarei fazer com que novos Milagres aconteçam, partilhando minha experiência e minha gratidão por meu dia limpo, só por hoje!
Agradeço à todos os que estão comigo nesta caminhada!
Dizer que...SÓ POR HOJE - FUNCIONA!
Abração à todos e...
TAMUJUNTU.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

REUNIÃO COM OS FAMILIARES DOS RESIDENTES







Dia de Reunião com os familiares dos residentes. Boa parte das famílias presentes. Muitos pais e esposas que já estão com algum tempo participando. Outras estão ali pela 1ª vez. Outras já passaram aquela experiência por muitas outras vezes e não somente ali conosco.
O clima é de ansiedade, nervosismo, preocupação e, do nada, o clima fica descontraido, pois uma esposa já leva aquela situação na esportiva e diz: "Ainda bem que eu não tenho filhos pequenos, porque eu tô vendo a hora ele ficar aqui internado e eu ser internada num hospício, pois eu tô pra ficar doida de andar nua pela rua".




No momento das partilhas, muitas lágrimas. Os gestos com a cabeça de que "eu te entendo", "eu sei", faziam parte de todas elas, e muito bem sincronizado, diga-se de passagem.


Alguém trazia a experiência de sua 1ª codependência. Já outro compartilhava a experiência de ser filho de adicto e agora pai de adicto em recuperação. Havia também uma experiência de convivência conjugal com um ex-marido dependente químico e o atual também, Outra compartilhava: "Sou filha de uma alcoólatra; tenho três irmãos que bebem e usam drogas e abusam muito; meu ex-marido, eu separei porque eu não aguentei apanhar todo dia; agora tô aqui lutando com esse meu filho."

Os olhares se cruzam e a cada nova partilha, os sentimentos se confundem ainda mais. Há aquelas partilhas que motiva, traz esperanças, dá forças para que possamos continuar firme. Há aquelas partilhas que nos deixa pensativos: "Será que vale a pena?"

A Psicóloga ali sentada, com uma caneta e seu caderno na mão, anotava e também falava algo. Enquanto que em outras mãos, a demonstração da inquietude, do nervosismo e da esperança. Umas mãos suadas que não paravam de estralar os dedos. Outras que não saiam das bocas, roendo as unhas. Enquanto que outras seguraram um terço...uma oração e, certamente uma promessa.

Alguns pessoas ali presentes tinham conhecimento das insanidades do seu familiar, mas já outros nem imaginavam o que o seu adicto podia ter feito em sua ativa. Uns nunca passaram por situações de crises financeiras, enquanto que outras já não tinham mais nem onde morar. Uns nunca tiveram seus familiares envolvidos com delitos e/ou crimes, enquanto que outros já tinha passado por aquela situação de visitas, mas em Instituições Correcionais. Algumas daquelas familias eram de classe média-alta, já outras eram moradores da periferia. Havia ali a esposa de um dos mais conceituados Médicos da Cidade, visitanto o seu filho. Mas havia também, sentada ali, uma senhora de 68 anos de idade, que não é nem aposentada ainda, que é quebradeira de côco Babaçú, que estava ali visitando o seu neto, que já estava ali pela 2ª vez.

Uma jovem que visitava seu irmão levanta-se dizendo que vai ao banheiro. Passam-se algum minutos...as partilhas continuavam. Um membro da nossa equipe técnica solicita que eu vá atrás da jovem, pois ela não retornou à sala. Abro a porta e logo a vejo de longe, sentada, chorando. Me aproximo. Digo para ela ficar tranquila, que tudo vai dar certo. Ela me diz: "Os meus pais não querem nem saber dele. Sou eu quem ainda tô tentando ajudar. Mas tá difícil!" - Muitas lágrimas.

Naquela hora, lembrei-me do que meus pais disse-me por muitas vezes: "Eu não tô mais nem aí pra você!".





E de fato, em minha última detenção, nunca recebi uma visita deles. Pra não dizer que não foi lá, meu Pai foi levar um colchão pra mim, no 4º dia que eu havia chegado ao Presídio...nunca mais voltou.





Quem sempre estava lá, era a Mãe de um filho meu, a qual foi brutalmente assassinada há dois anos atrás.





A cada partilha daquelas que escutei, eu via a minha Mãe e o meu Pai ali sentado. Via também a minha Avó. Via, ainda, aquela pessoa que conviveu comigo durante todo esse tempo e que ainda hoje me suporta. Minha familia foi muitas vezes me visitar em Instituições de Tratamento.





Lembrei-me do que minha Mãe costumava se questionar: "-O que foi que eu fiz, pra merecer tudo isso?"





Ela teve a infelicidade de casar-se com um alcoólatra e teve também os seus quatro filhos dependentes químico. Ela, que um dia estudou, formou-se, conseguiu juntamente com o meu Pai, um certo patrimônio, mas acabou trabalhando lavando banheiro de uma Empresa que a contratou após os 60 anos de idade. Não que lavar banheiro desqualifique ou menospreze alguém, mas eu quiz apenas mostrar a que ponto ela chegou. Teve que abandonar suas casas e seus filhos, pois não aguentava tanta vergonha, tanto sofrimento. Onde sabíamos onde ela estava, íamos atrás, tentar conseguir dinheiro. Cansei de entrar no serviço dela, fazendo vergonha.





Quando eu saí de lá, meus irmãos continuaram, até que ela abandonou tudo e partiu sem deixar endereço. Fui reencontrar minha Mãe após 11 anos que eu não a via. Vários foram os motivos que fizeram eu passar esses anos todos longe dela.





Se eu contar aqui como ficou o apartamento que nós morávamos...só ficou mesmo as paredes...tudo foi vendido...janelas, portas, pias, vasos sanitários, caixa d'agua...absolutamente, tudo. A casa, então foi pior que o apartamento, pois venderam até as telhas e madeiras. (lágrimas).





Não condeno minha Mãe por ela ter saído de casa e ter deixado seus filhos. Algumas pessoas dizem que ela não amava os filhos, mas só ela sabe o que ela passou conosco. Só ela sabe a tristeza que era viver ali conosco. Só ela sabe o que é acordar com a polícia invadindo a casa. Só ela sabe o que é passar noites e mais noites acordada pensando onde estaria os seus filhos. Só ela sabe o que é escutar tiros na rua e saber que poderia ser seu filho que estaria atirando em alguém ou levando aquele tiro. Só ela sabe o que é ser pressionada por marginais, querendo pegar seu filho. Ela fez certo em sair de casa, pois não poderia pagar o preço de nossas insanidades. Já bastava o sofrimento de ser Mãe de dependentes químico e ser impotente a isso.





Aquelas partilhas da Reunião com as famílias são parte de minha história. Eu preciso estar ali, escutando-as, mas também dando uma palavra de conforto. E eu acho que meu testemunho fala por sí só. Uma prova de que há uma esperança. Uma esperança para aquelas familias que estão ali pensando que não há mais solução, diante de tantas tentativas sem êxito.





Vou continuar voltando. Quero continuar ajudando a amenizar a dor daqueles familiares. Quero que eles saibam que "UM ADICTO, QUALQUER ADICTO, PODE PARAR DE USAR, PERDER O DESEJO DE USAR E ENCONTRAR UM NOVO MODO DE VIDA..."





Mas também vou continuar voltando para olhar meus queridos residentes. Tanto no núcleo masculino, quanto no feminino. Ali é que eu me identifico mais ainda. Ali é que me sinto entre os meus. É ali onde eu vejo que não posso e não devo voltar a usar, sob hipótese alguma. Não quero mais ter que fazer minha família sofrer pela minhas insanidades da ativa. Não quero mais ter que me distanciar deles para me tratar ou para cumprir pena. Não mesmo.
Não quero correr o risco de levar mais cicatrizes no meu corpo, ou mesmo perder a vida. Também não quero mais atentar contra a vida de ninguém. Não mesmo. Ainda hoje carrego comigo as mazelas de minhas insanidades. Ainda hoje carrego comigo aquele prontuário 20391, Pavilhão "F", cela 16, raio Leste, do Presídio Professor Aníbal Bruno. De lá, restam traumas. Lembranças sanguinárias. Fatos horrorizantes que ainda hoje me assustam em meus sonos. Da minha ativa, eu ainda carrego o pseudônimo de "Gabriel", um "elemento" descrito pelo Promotor da 3ª Vara Criminal como "frio e antisocial", mas que hoje posso dizer que trago um calor humano aos que covivem comigo no seio social.


Sei que não sou um santinho...ainda tô muito longe de ser.





Sei que ainda tenho muita coisa a pagar aqui nesse mundão. Mas quero estar "de cara" para ver tudo, pra encarar tudo. Hoje, só por hoje, eu sei que não preciso me drogar pra viver a vida. Posso viver e deixar os outros viverem, literalmente falando.


Só por hoje, vou continuar voltando.

Só por hoje, funciona.

Abração e TAMUJUNTU.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

COMÉRCIO INSANO!!!!!


Uma televisão de 42", com apenas 4 meses de uso, por R$ 300,00.
Um notbook, HD 500 e 4GB de memória, com pouco mais de 6 meses de uso, por R$ 200,00.
Uma câmera digital, 14 megapixels, cartão de 2GB..nova, nova...na caixa....R$ 180,00.
Um relógio Rolex (original), por R$ 200,00. (e era original mesmo).

Uma geladeira BRASTEMP 480 litros, novinha, tirada da loja diretamente para revenda: R$ 500,00.

Uma moto Honda, 150, do ano, por R$ 2.000,00.

Um jogo de quarto (cama casal, guarda-roupa 6 portas com maleiro, cômoda e criado mudo) todo de madeira (angelin)...novinho, novinho....R$ 400,00.
Cordão de ouro 18k com 60gramas = R$ 350,00.
Botijão de gás vazio = R$ 10,00.
Botijão de gás cheio = R$ 25,00 (acompanha o botijão).
Uma caixa de ferramenta de mecânico, com mais de 60 peças, entre chaves, alicates, etc...=R$ 80,00.
Dois milheiros de tijolos = R$ 150,00.
Um salão de cabeleireiro completo, com cadeiras, lavatório, cadeira de manicure, carrinho de manicure, secador,, prancha, etc..tudo, tudo....até com lupa pra limpeza de pele e tals...=R$ 1.000,00.
Central de Ar de 9000btus, novinho, na caixa = 350,00.

Detalhes: TODOS* OS PRODUTOS COM NOTA FISCAL E MUITOS DENTRO DO PRAZO DE GARANTIA. (só não tinha nota fiscal os botijões de gáz e a caixa de ferramenta).
Ou seja, não são produtos roubados e nem furtados.

Eu poderia passar a noite aqui descrevendo o rol de mercadorias que sempre encontro "vendedores" oferecendo aqui aos "fiéis" compradores.

Certamente vocês já sabem do que estou falando, né?
Sim....Isso mesmo!  Exatamente!
Também, acho que grande parte de vocês conhecem bem esta realidade!
Estou aqui descrevendo alguns produtos que vi seus proprietários negociando com traficantes ou com outros oportunistas quaisquer, para conseguir dinheiro para comprar sua substância de preferência.
Todos estes produtos que citei, nenhum deles foi tirado as escondidas de suas casas ou trabalhos. Todos foram vendidos pelos seus proprietários(as), que são usuários de drogas.
Casos que eu presenciei e, infelizmente, não pude fazer nada.
Casos como o de minha amiga "X", que tava feito doida aqui, tentando vender seu salão completo, para conseguir dinheiro para pagar uma dívida e comprar mais.
Casos como o de um grande amigo meu, que foi demitido do trampo que estava com mais de 8 anos lá, justamente pelo uso de drogas, recebeu os direitos, comprou uma moto nova e acabou vendendo baratinho, só pra "curtir".
Casos como o de um Sr., um excelente mecânico, que após uma recaida, vendeu toda sua ferramenta de trabalho e agora está impossibilitado de exercer sua profissão.
Casos como os que eu vi deixando na "boca" seus sapatos, short's, camisas...saindo dali só de cueca... Casos como os que eu já vi, também deixando lá na "boca" (pasmem vocês que não têm conhecimento disso), as suas companheiras (namoradas ou esposas), que também são usuárias e que estão afim de "curtir um barato" e aceitam toda e qualquer parada. "Ficam" ali  com o traficante ou com qualquer outro que tenha a droga e o seu companheiro leva em troca uma pequena quantidade da substância.
Isso na cadeia era comum eu presenciar, pois muitos carinhas usavam durante a semana, quando era no dia de visita, não tinham como pagar, suas visitas não levavam dinheiro..aí, já viu, né?  Drogas na cadeia é luxo, tá ligado? Aí tinha que colocar na "roda" a sua esposa, sua irmã, sua namorada, etc...eu presenciei muito disso...quando elas não aceitavam, aí já era...neguinho num perdoava não...era só mais um pra diminuir a lotação das celas, e só mais um pro IML.
Nessa minha vida de adicto eu já vi e já fiz também tantas coisas.... Ainda hoje sou lembrado pela minha Mãe, pelo fato de eu ter pego dela a batedeira de bolo novinha, que ela havia acabado de ganhar de Painho...olha que isso naquela época era coisa do outro mundo, visse?
Tirei tudo o que era meu e dei de graça....aí começei a tirar o que era dos outros...começei com o material (dinheiro escondido da carteira de meus pais; jóias; etc). Depois passei a tirar o emocional (alegria, prazeres,). Depois já tava tirando o psicológico, o espiritual e até mesmo o físico (vida) dos outros.
As drogas me escravizaram. Eu fui um robô do Submundo do Sistema. Não tinha preço que eu não pagasse para adquirir minhas substâncias. Nem sempre eu tinha o valor requerido, mas tinha minha adicção ativa que falava mais alto e agia em mim.
Aqui eu apresentei apenas alguns objetos que vi sendo negociado, não por mim, mas por outros adictos que, como falei, não furtaram. Agora se eu fosse falar aqui os que eu sempre encontro sendo oferecidos, mas que são produtos de roubo/furtos/assaltos, etc....
Aff maria!!   Além do mais, os preços cairiam pela metade destes que eu apresentei aqui.
Ontem mesmo, por exemplo, encontrei celular com 3 chip, novinho, por apenas 25,00. Vejo sempre bicicletas por R$ 10,00 - ou R$ 20,00 - dependendo do estado de conservação.
Infelizmente, ainda veremos muuuuuitas, mas muuuuuuuuuuuitas outras "ofertas" destas por este mundo a fora.
Infelizmente nossos "vendedores" não estão se capacitando para comercializar algo que possa lhes engrandecer como exímios profissionais. Ao contrário, estão cada vez mais perto da loucura, da prisão ou da morte.
Ainda bem que existe UM PODER SUPERIOR que opera MILAGRES. Ainda bem que há uma solução para quem quer se libertar desta vida de desgraças!

Só por hoje, sou grato pela minha recuperação. Sou grato pela minha saúde. Sou grato pela minha alimentação. Sou grato por hoje, só por hoje, não ter tirado a feira aqui de minha casa, para ter levado para trocar por uma dose para meter em minhas veias. Sou grato por hoje, só por hoje, não ter pego o meu lençol para ir dormir em baixo do viaduto Tancredo Neves. Sou grato por hoje, só por hoje, poder sentar na calçada de minha casa, mesmo de costas para a rua, sem medo das motos que passam ou das sirenes das viaturas. Sou grato pela vida que MILAGROSAMENTE me foi dada novamente.

Abração a todos e...
TAMUJUNTU.

domingo, 16 de outubro de 2011

PARABÉNS, FILHA!



Ontem, dia 15 de Outubro de 2011, foi aniversário de minha Filha Letícia.
Eu até tentei postar aqui ainda ontem, mas, por motivos alheios a minha vontade, ontem não tive como fazer isso. Ontem foi um dia de muita "correria".
Mas hoje estou aqui para expressar meu amor a esta minha Filha que ontem completou seus 18 aninhos.
Até parece que foi ontem que tive a notícia de seu nascimento.
Sim...digo notícias, porque na época, eu não estava presente. Um mês antes de seu nascimento, eu tive que sair "corrido" de Recife, por causa de minha adicção ativa. Quando eu retornei, a Letícia estava com quatro meses. Lembro-me quando fui vê-la pela primeira vez. Muita alegria pela minha primeira Filha.
Não mantive relacionamento com a Mãe dela após o seu nascimento, por motivos de eu não poder ficar na Cidade e também por eu já ter conhecido outra pessoa na Cidade onde eu estava "escondido". Pessoa esta que completei 18 anos de convivência conjugal recentemente.
Sou muito grato ao PODER SUPERIOR pelo fato de ter minha Filha nascido e com saúde, pois todos diziam que a Mãe dela não iria conseguir tirar toda a gravidez.
A Mãe dela, era uma jovem com quem eu me relacionei através do irmão dela, que era comparsa meu da ativa. Éramos muito amigo. Vivíamos juntos direto. Aí eu me aproximei dela, mesmo ele sendo contra, pois não queria a irmã dele envolvido com quem não presta. Mesmo assim, eu cheguei junto.
Namoramos escondido da família por um tempo, mas logo o irmão descobriu. Aí já não tinha mais como interferir. Então, ela começou a andar conosco e inevitavelmente, começou a beber e a usar outras drogas conosco. Logo já estava se drogando costumeiramente. Fizemos muitas doideiras juntos. Ela agora já estava entregue às drogas. De repente...uma gravidez.
Pronto! E agora?  Nem eu e nem ela estava preparado para termos um filho. Só queríamos mesmo era zuar. Nada de pensar em responsabilidades.
Mesmo asssim, eu disse: "-minha irmã...deixa rolar pra ver no que vai dar!".
Foi o que aconteceu! Ela simplesmente deixou rolar!
Não parou de beber e nem de usar outras drogas. Era cada dia mais se aprofundando nelas.
Pegávamos a garrafa de bebida e colocávamos Rohypnol, Optalidon, Valium, Artane, Phenergan, Akineton (Bipirideno), Haldol (Haloperidol), Inibex, Prozac, Anafranil. Gostávamos também de tomar Codelasa, Eritós, Tussiflex eBentyl.
Fazíamos uma verdadeira "garrafada", cheio de comprimidos. Muitas vezes, nem comprávamos mais bebidas nos comércios....íamos no posto de gasolina e comprávamos Álcool de colocar em carro e fazíamos o que é conhecido aqui em Recife como "perua", que é uma bebida bastante consumida por moradores de rua.
Ficávamos o dia todo e todos os dias ali, se drogando, cheirando cola, fumando baseados e mais baseados...cheirando pó...tomando uns "baques", "picos" de Algaphan ou mesmo de cocaína...trocando seringas e tals.
Era aprontando por onde passava...dormindo em qualquer lugar...correndo da polícia.....se escondendo nas favelas ou em cima das paradas de ônibus no bairro do Ipsep...e ela com a barriga crescendo cada vez mais.
Pre-natal????
Hummm!  Nem sabíamos o que era isso!
Houve algumas vezes em que ela foi socorrida, mas só foram estas vezes que ela esteve no Médico durante sua gestação. Todos diziam: "-Mulher! Como é que tu ainda faz isso tudo, sabendo que tas grávida? Tu queres é morrer, é?"
Mas aquilo entrava num ouvido e saia no outro. Na hora que saía do Hospital, já tava se drogando novamente.
Pra se ter uma idéia, durante toda a gravidez dela, ela pouco dormia em casa...estávamos sempre nas quebradas....na real, na real, eu achava massa aquela onda de tá me apresentando com a gata que tava esperando um filho meu, tá ligado?
Eu que sempre queria ser o mais doido, o mais posicionado, o mais psicopata, (hoje eu vejo que eu era o mais otário, o mais vacilão)logicamente que tinha que mostrar que tava com uma gata esperando um filho meu, né?
Tinha um ciúmes desgraçado de deixar ela sozinha, pois sabia que usuária quando não tinha drogas por perto, poderia fazer qualquer coisa pra conseguir.....e ela não era diferente.
Então, desde do início do namoro estávamos sempre juntos...poucas vezes ficamos dias distantes.
Até que, um mês antes dela descançar, eu aprontei mais uma insanidade e, desta vez, a "casa caiu"...tive que "lavrar" de lá e foi quando ela teve a Letícia.
Fiquei alegre demais quando soube que ela havia nascido perfeita, sem nenhuma sequela. Na real, na real, eu nem esperava que ela conseguisse tirar a gestação toda, pois sabia que era uma gradivez doideira mesmo.
Mas DEUS AGE DE FORMA MISTERIOSA NAS REALIZAÇÕES DE SUAS MARAVILHAS!
Minha Filha é perfeita! Não teve nenhuma deformidade física. Apenas tem uma personalidade que acho que foi consequências das substâncias que a Mãe dela usou durante a gradivez.
Cabe aqui dizer que ela também ainda passou um tempo amamentando e usando drogas também.
Ela nunca deixou de usar drogas. Depois de um tempo, mataram o irmão dela, então ela se revoltou ainda mais e envolveu-se mais ainda com a criminalidade. Foi presa na Colônia Penal do Bom Pastor, em Recife, onde passou uns anos. Recebeu um benefício, saiu e não voltou. Passou a cometer mais e mais insanidades e até uns três anos atrás, ela sempre me ligava. De lá pra cá, não mais ligou e nem deu notícias a família dela. Acreditamos nos boatos de que haviam matado-a. Acho isso provável, pois se estivesse viva, ainda que estivesse presa, já teria dado notícias.
Como muitos aqui já sabem, a Mãe de um Filho meu também foi assassinada há dois anos atrás. Também por envolvimento com Drogas.
Hoje a minha Filha mora com a Vó dela. Ela guarda poucas lembranças boas da Mãe. Outro dia, estávamos conversando e ela me disse: "Painho, ela toda vez que chegava aqui em casa só queria me bater, sem eu fazer nada! As lembranças que eu tenho dela só são essas!"
Eu estou sempre falando que a Mãe dela estava doente e que precisava que ela entendesse isso. Não quero que ela guarde sentimentos ruins, ressentimentos dela. Ao contrário dela que sempre queria colocar a menina contra mim, por eu não ter pernamecido ao lado dela.
Hoje minha Filha está entrando pro ensino superior e está feliz por eu estar proporcionando a ela uma melhor qualidade de vida.
Lamento muito o fato de não poder ter todos os meus Filhos pertinho de mim, mas sempre que posso, estou indo ficar pertinho deles. Agora mesmo, estou proporcionando a minha Filha um presente que ela sempre me pediu, que é conhecer Fernando de Noronha. Mesmo morando aqui em Pernambuco, ela ainda não tinha vindo aqui na ilha. Está amando. Tá lá fora, curtindo o sol e se mostrando pros turistas....e eu aqui me mordendo de ciúmes. rsrs
Acho que ela merece muito mais que isso!
Minha filha é linda! É uma lapa de mulher que chama atenção por onde passa!
Estou me mordendo de ciúmes...ainda não estou preparado para escutar ela me dizer: "Painho, esse aqui é o meu namorado!"
Não! Não!
Isso não!
Agora não!
Ainda a tenho como aquela menininha que carreguei nos braços e troquei a fralda, mesmo por algumas vezes, pois minha adicção ativa não permitiu fazer-me presente durante todos estes 18 anos.
Mas hoje estou feliz por tê-la aqui ao meu lado....ou melhor, por estar aqui ao lado dela....mesmo sem poder desfilar pelas ruas do bairro onde eu nasci e me criei, onde ela ainda hoje passa normalmente, mas que eu ainda não tenho essa liberdade. Mas estou feliz. Estou feliz por saber que ela não está envolvida com as Drogas, nem com a criminalidade. Estou feliz por ela não ter puxado aos Pais, pois corre nas veias dela um sangue que pulsa instintivamente maldades.
Ainda bem que o sangue que está chegando ao coração dela é a parte boa minha e da Mãe dela. Sei que nós temos nosso lado bom. Sei que a Mãe dela, onde quer que esteja, é digna de ser reconhecida como ser humano e, como tal, é pecadora, mas tem também um lado bom, como eu presenciei algumas vezes ela fazendo alguma caridade e/ou mesmo preservando a integridade físicas das vítimas de nossas insanidades.
Ainda bem que a Letícia está, pelo menos até o momento, sem manifestar interesse pelo Submundo do Sistema, que foi o meu maior medo, pois criar um Filho(a) aqui em Recife/PE sem que ele tenha envolvimento com Drogas, é mais difícil de que acertar na loteria.
Ainda bem que eu ganhei este prêmio....aliás, só por hoje, estou desfrutando deste prêmio....deste MILAGRE que O PODER SUPERIOR me deu...que é uma Filha saudável e sem envolvimento com as Drogas.
Obrigado, PODER SUPERIOR, por tudo.
PARABÉNS, Filha!
Painho te ama!
 
Abração a todos e...
...TAMUJUNTU.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

FOI ELE...

"DEUS age de forma misteriosa nas realizações de Suas Maravilhas!".

Eu, que passei tantos anos de minha vida atoa, sendo ateu, hoje desfruto de muitas Dádivas do PODER SUPERIOR, dentre elas, estar vivo e estar Limpo, Só Por Hoje. - Um verdadeiro MILAGRE!
Esta semana fui agraciado por mais uma Dádiva. Quer dizer, eu e um outro amigo, à quem estou estendendo a mão.
O Post é um pouco grande, mas vale a pena conferir.
Eram aproximadamente 16:30hs desta terça, (11/10/2011), quando recebi um telefonema, com mais um pedido de ajuda de mais uma Mãe desesperada pelo sofrimento de um filho dependente químico. Desta vez, era a Mãe de um amigo meu, (a quem chamarei aqui de João, preservando o seu anonimato),  que saiu recentemente de uma Comunidade Terapêutica, mas já está na ativa novamente. Fui a sua residência por volta das 18:30hs. Lá encontrei um outro amigo nosso, também adicto na ativa, que chamarei aqui de José, também preservando sua identificação.
Fiquei sabendo, então, que o João havia pego algumas jóias da família, além de um notbook e uma filmadora da irmã. Segundo o José, o João fazia poucas horas que tinha saido com estes objetos, pois ambos haviam conversado há poucos instantes. José me disse onde João poderia ter ido negociá-los e, a pedido da família que gostaria de recuperar pelo menos as jóias, resolvi ir nesse lugar.
O José também se prontificou em ir juntos, afinal, se encontrasse o João, teria bastante droga pra curtir, né?
Fomos no primeiro local, mas nem sinal do brother. Fomos em outro...nada. Fomos em uns seis lugares, sem nem vestígio. Encontramos uma amiga nossa, também usuária de drogas, que nos deu umas informações. Seguimos as pistas que nos levou à um bairro da periferia, um dos locais mais perigosos e violentos da cidade. Chegando lá, começamos a andar de "boca" em "boca". Lá existe mais "boca" do que residência.
No Submundo do Sistema, as coisas é mais organizada do que se imagina. Quando nós começamos a procurar nas primeiras "bocas", a quebrada toda já tinha conhecimento de nossa presença e do que estávamos fazendo ali. Pelo meu amigo, nem tanto, pois ele sempre estava lá, buscando drogas. Enquanto que eu, eles já sabiam que estava ali para tirar alguém das drogas.
De repente, se aproxima um menor de mim e diz: "Tá sujeira! Tá sujeira!" - E continua seu percurso.

Cheguei numa quebrada onde uns "malucos" disseram que viram ele passando há poucos instantes pro lado do rio, com "fulano" e "cicrano". Continuamos procurando, quando fui abordado por três caras, perguntando o que era desta vez. Quando eu respondi, um deles disse que era bom eu não me meter nessa parada, porque o cara já tinha passado o "bagulho" pra frente e não tinha mais como desfazer o negócio. Então, eu perguntei onde ele tinha ido e eles disseram: "Já lavrou!" = (que quer dizer 'foi embora').

Nessa hora, meu amigo José virou pra mim e disse:
"-É doido! Então vamos 'lavrar' também!".

Decidimos voltar. Só que, quando chegamos na entrada da quebrada, encontramos novamente a "doidinha" que havíamos encontrado antes e que já foi logo nos perguntando:
"- E aí? Encontraram ele?"

Eu disse: "-Não! Ele já foi."

"-Já foi? Eu passei por ele ali, agora há pouco!" - disse ela.

"-Como é que tu passou por ele aqui dentro da favela, se tu tas entrando agora?" - perguntei.

" -Entrando agora? Naquela hora que vocês passaram por mim eu tava esperando esse doido aqui para mim trazer aqui. Nós já entramos, já pegamos a 'parada' e já tamos é saindo. Já vi ele ali dentro e tu ainda não encontrou?" - disse ela, demonstrando admiração.

Eu perguntei aonde foi que ela viu ele e ela disse direitinho. Nestas alturas, o José bateu a "fissura" e decidiu seguir com eles e me disse: " -É melhor tu ir embora, cara! Já tá tarde!".

Nisso, já eram quase 21:00hs.
Mas eu decidi voltar. Mas também lembrei-me das sugestões do manual do Linha de Ajuda, de que devo evitar ir ao encontro do adicto em seus locais de ativa.....principalmente sozinho. Resolvi, então, ligar para um outro brother. Ele não podia vir naquele momento, então pedi para que ele ficasse na linha, que ficasse em silêncio, sem fazer um barulho sequer, pois eu iria colocar meu telefone no viva-voz e iria descer na quebrada, na beira do rio. Caso ele escutasse algo, saberia onde me encontrar. Ele ainda tentou me convencer a voltar pra casa, mas eu prossegui. Coloquei o telefone no ombro, por baixo da camisa.
Andei novamente a quebrada toda. Quando chego no final do beco que desce pra beira do rio, vejo uma movimentação estranha. Percebi que era pela minha presença. Dois caras se aproximaram e perguntaram se eu ainda não havia encontrado o "maluco", deixando claro que eles já sabiam o que eu estava procurando. Respondi que não e que sabia que ele estava ali perto. Pedi pra chamar "fulano", que é quem manda naquela quebrada e eles disseram que ele já tinha ido embora.
Nessa hora, um deles passou por mim e fez um gesto com a cabeça, tipo mandando segui-lo. Ele estava voltando para o beco. Despediu-se da galera e subiu.
Eu dei um tempinho conversando e subi atrás. Lá em cima, vejo ele encostado numa árvore, escondendo-se. Pediu para eu me aproximar e me perguntou o que eu era do brother que eu tava procurando e eu disse que era muito amigo dele.
 Então, ele me disse: "-Cara! Vê só! Ele tá com umas mulequinhas aí, sacou, que gosta de levar o cara pro 'cheiro do queijo', tá ligado? Ele tá cheio dos bagulho e uma delas já tava chamando uns e outros pra 'patolar' ele, morô? Ele tá lá na beira do rio, perto das dragas, onde tira areia. Mas os caras tão esperando eles subirem ali, que é pra 'patolar', tá ligado?"
(Na gíria, "cheiro do queijo" é levar para a vítima, de forma enganosa, para o local onde ele será surpreendido. E "patolar" quer dizer, revistar o cara e tomar seus pertences).

Aí eu disse: "-Quer dizer que ele ainda tá com os bagulhos dele?"

"-Ele fez 'rolo' num notbook e desceu ali com umas gramas, mas já deve tá voltando, tá ligado? Mas ele tá cheio de jóias da hora, oh, véi!" - disse ele.

"-Tá massa, doidinho. Valeu!" - eu disse.

" - Ei, muleque! Aí...Num vai 'bater a fita' pra ninguém, não, aí, morô? Sei que tu é sangue bom e se é teu chegado o muleque lá, tu tem que ganhar a fita, sacou?" - disse ele, receioso de ser visto entregando a 'fita'.  (bater a fita quer dizer, comentar, contar a alguém).

"- Tá massa, mano! Valeu! Pode ficar tranquilo!". - disse-lhe.

Sai caminhando pelo beco, quando escutei baixinho: "-Ei, doido!"
Era o meu brother no celular.

Eu disse: "-Cala a boca, véi!".

Ele insistiu: "-Meu irmão, se sai dessa, doido!".

"-Cala a boca, véi!!!! Tu vai me prejudicar, porra! Fica só escutando!" - falei, já naquelas de alguém se ligar na parada.

Cheguei novamente no final do beco e encontrei os caras. Os ditos caras da espera. Cumprimentei-os novamente e passei. Um deles me disse que num tinha ninguém ali em baixo, não. Aí eu disse que fui informado que meu amigo estava lá e que tinha uns caras que estavam esperando ele subir pra 'patolar' ele. Eles me perguntaram quem havia dito isso, pois além de não ter ninguém lá em baixo, ali nas quebradas não rolava dessas ondas, não.

Aí eu disse: "-Meu irmão! Aqui eu tô ligado em tudo, bota fé? Vocês sabem que eu conheço essas quebradas aqui tudo e sei o que rola por aqui. E quem me falou num importa, não. O que importa é que o muleque que me falou me considera e eu considero também esse muleque que eu tô procurando, tá ligado?"

Um outro respondeu: "-É doido...aqui tem umas 'doidinhas' que gostam de tirar os caras, tá ligado? Mas nós aqui é de boa e num rola isso não, sacou? Tu tá ligado na gente, né?"

Outro ainda disse: "-Aê, muleque! Eu tô ligado que tu representa e tal. Tu é sangue, oh! Aqui ninguém, mexe contigo, não, e nem com teus chegado, firmeza?"

Aí eu disse: "- Vamos fazer o seguinte. Eu já ganhei a fita toda, bota fé? Vamos fazer o seguinte...eu boto uma parada de boa pra vocês encontrarem o muleque pra mim...."

Eu nem terminei de falar, logo um se levantou e, com o "ferro" na mão, me disse: "-Vai rolar o que?" (ferro = revólver).


"-Tá vendo que tu sabe onde ele tá?" - falei.

"-Não! Sei não! Só quero saber o que vai rolar que eu vou te ajudar a procurar!" - disse ele com um sorriso no rosto.

Então, eu falei:"-Meu brother! Tu tá ligado em mim. Vocês tudinho tão ligado em mim. Quando vocês começaram nessa vida, eu já tava formado nela e já tava me aposentando, tá ligado, né? Você não precisa me tirar, não, véi...num rola não!

Nessa hora, um olhou para o outro...rolou aquele silêncio.

Eu disse: "-Eu tô ligado até quem era que ia 'patolar' eles. Mas ia, porque sei que agora não vão mais não, né mesmo?"

Soltei um sorriso', virei as costas e finalizei: "-Agora eu vou lá buscar o brother."

Caminhei pouco quando escutei um deles me chamando:
"-Ei, Gabriel! Nós não sabia que ele era teu chegado, não....bota fé?"
(Me chamaram de Gabriel, pois esse foi o nome que adotei quando de minha ativa e tinha broncas com a Justiça aí tive que mudar de nome, de cidade, de Estado e tals. E até hoje, nas quebradas, eles me conheçem por Gabriel).

Olhei para eles e respondi: "-Tá valendo, brow! Relaxa!" - disse e continuei andando, até que cheguei nas dragas.
Começei a chamar o João.
De repente, me aparece uma 'doidinha' das antigas e diz:
"-Eaí, Gabriel! O que tu tas fazendo aqui, meu irmão?"

Olhei para ela e respondi: "-Minha irmã, até tu tas nessa parada também, é?"

Ela fez de conta que não tava sabendo de nada e questionou:"-Qual foi?"

Eu disse: "-Eu tô ligado em tudo, minha irmã! Falei com os caras lá em cima e tô ligado que vocês tão armando pra 'patolar' o muleque. Só que tu tas ligada que eu conheço bem aqui essa quebrada, né? E os caras me consideram, aí me passaram a fita. Num precisa querer me tirar de tempo, não, tá ligada?"

Enquanto ela tentava me manipular, o João escutava a conversa e asssustado, decidiu aparecer de dentro dos matos, para querer saber o que tava rolando.

Então, eu disse: "-Meu irmão, vamos 'lavrar' logo, antes que tu se fôda aqui, véi."

Saimos andando. As duas 'doidinhas' atrás, chamando ele, pedindo pra ele ficar. Enquanto que ele tava era querendo saber como foi que eu encontei ele ali naquela quebrada...como eu soube que ia rolar aquela "treta", e eu apenas disse: "-Meu irmão! depois eu te falo, véi...porra!"

Aquele pedaço de pouco mais de 1km da beira do rio à entrada da quebrada, parecia ser uma distância de 50km. Todos nos olhando e nos cumprimentando, com gestos com a cabeça. Não mais vi os caras na subida do beco. Já deviam ter ido atras de um outro vacilo.
O João ainda queria ir pegar mais substâncias para usar. Tentou o tempo todo se livrar de mim, mas eu disse que não tinha vindo ali, passado aquele risco todo, só pra encontrar ele e deixar ele ficar ali.

Mais na frente, tirei o telefone do ombro, por baixo da camisa e falei:
"-Pronto, brother! Já saimos! Tá tudo de boa aqui. Tamos indo pra casa, já!"

O meu amigo do outro lado da linha disse:
"-Meu irmão! Tu é muito doido, cara! Eu chamei a Janice aqui pra se ligar na tua doideira. Ela fez foi gravar aqui tudo num MP4, bota fé?"
Fez, ainda, uma porrada de comentários, me criticando e dizendo que eu tava vacilando, me arriscando daquele jeito. Tive que ouvir calado, pois realmente ele não estava mentindo. Sem falar que ele estava há um tempão me escutando, então, eu tinha mais que escutá-lo também.

Quando chegamos na casa do João, já quase 22:00hs, ele me perguntou:
"-Sim, cara! Agora me diz como foi que tu me achou ali?"

Eu disse:"- Brother! DEUS age de forma misteriosa nas realizações de Suas Maravilhas! Não fui eu quem te encontrei....foi ELE quem me levou até você e QUEM nos tirou de lá....tu bota fé nisso?"

A Mãe e o Pai dele ficaram alegres em poder recuperar as jóias. O notbook e a máquina já havia virado fumaça. Porém, quando eu contei à eles o que realmente havia acontecido até eu encontrar o João, os pais perceberam que jóia rara, preciosa e inestimável, era o filho deles. Os dois encheram os olhos de lágrimas, se levantaram e abraçaram aquele rapaz que estava ali, ainda sem se dar conta do risco que acabara de correr.

Pelo que eu conheço aquela quebrada...pelas 'figuras' que estavam com ele...pelo que eu conheço os caras que estavam aguardando o sinal pra agir...as possibilidades dele sair dali contando história seria mínima, pois o pessoal já sabiam que eu estava procurando ele e se fossem agir (como de fato iam), jamais iriam deixar ele vivo para depois ele dizer quem foi que fez a 'parada'. O setor onde ele estava, na margem do rio, sempre acontecem crimes dessa natureza.

No outro dia, eu peguei a gravação de toda a conversa e levei para a irmã dele, pois ela havia solicitado, só mesmo pra ver como é a realidade do Submundo do Sistema.

Mas eu disse pra ela: "Aqui você vai ter apenas uma pequena noção...jamais vais conseguir compreender o que se passa dentro desse Submundo!"

Só hoje estou fazendo este Post, pois precisei tirar as frases que aqui citei de acordo com a gravação. Gostaria muito de disponibilizá-la aqui, mas, infelizmente, me comprometeria bastante, pois existem nomes e as vozes podem serem reconhecidas pelos que fazem parte do Sistema.

Meu amigo João decidiu voltar novamente para a Comunidade Terapêutica. No outro dia, quando escutou a gravação e viu o que a galera lá tinha dito que estavam programando fazer, ele me disse:
"-Cara! DEUS colocou tu na hora certa, oh! Acho que é mais uma chançe que ELE tá me dando, né não?"

A família mandou eu fazer o pedido de uma substância que ajuda bastante no tratamendo da DQ, para que o João possa fazer uso dela. O valor é até um pouco "caro", digamos assim, mas, em si tratando de vidas, sabemos que não há preço.
É como o Pai dele me disse: "Isso não é nada se comparando pela vida do meu filho!".

Quem está usando drogas, não enxerga os risco que passa!

 

Agradeço mais uma vez ao PODER SUPERIOR por esta oportunidade de ser merecedor desta Dádiva.
Um adicto, Limpo, Só Por Hoje.
Abração e...
...TAMUJUNTU.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

SAUDADES!!!!


Hoje, (dia 10 de Outubro), meu Pai estaria completando ano!
Estaria....se estivesse aqui, entre nós! Mas, infelizmente, ele já partiu!
Partiu deixando muita saudade, muita falta!
Mas também, deixou muitos exemplos. Deixou muitos ensinamentos, muitas coisas.
Entre tantas coisas boas que ele me deixou, posso dizer que foi um dos maiores e melhores presentes que ele poderia ter me dado, foi justamente me levar para conhecer Alcoólicos Anônimos.
Lembro-me direitinho como tudo aconteceu. Lembro-me cada detalhe daquele 18 de Setembro de 1995. Lembro-me perfeitamente de suas palavras alegres e entusiasmadas, quando eu decidi fazer parte da Irmandade e ele, como meu padrinho, entregou-me uma ficha amarela, representando meu ingresso na Irmandade.
Meu Pai, que também havia tido sérios problemas com bebidas alcoólicas, estava fazendo sua recuperação em A.A. e compartilhou comigo a Dádiva da recuperação. Ele, que tinha sido a primeira pessoa que me apresentou as bebidas alcoólicas quando eu ainda era criança, também foi o primeiro que me apresentou este lugar onde ainda hoje eu continuo frequentando, compartilhando minha recuperação com àqueles que necessitam.
Este final de semana eu estive participando de um Encontro maravilhoso da Irmandade de Alcoólicos Anônimos, que aconteceu na cidade de São Mateus, no Estado do Maranhão. Tive a oportunidade de reencontrar companheiros(as) que há muito não via. Tive também a alegria de coordenar os trabalhos ali realizados e, durante todo o vento, eu estava ali na mesa coordenadora, me lembrando que hoje seria o aniversário do meu Pai, mas ele não estava ali para ganhar o presente dele, que seria me ver ali coordenando aquele Evento. Sem dúvidas, seria um dos melhores presentes que ele poderia receber, pois foram incontáveis as vezes que ele pediu a DEUS para que eu me saísse daquela vida em que vivia. Entretanto, mesmo ele não estando ali presente, sentado nas cadeiras, mas ele estava ali presente espiritualmente, pois senti a mesma energia, a mesma alegria, o mesmo entusiasmo que ele me passava, quando estávamos juntos nas salas e nos Eventos da Irmandade.
Infelizmente não posso dizer aqui que meu Pai teve a felicidade de falecer, sem ter voltado a fazer uso de bebidas alcoólicas. Ele recaiu e não mais voltou. Se bem que foram muitas as tentativas, mas todas sem êxito. Ele havia descoberto que estava com uma doença incurável (aliás, outra doença incurável, pois alcoolismo também é uma doença incurável, né?), então, entregou-se completamente às bebidas, tentanto antecipar mais ainda sua ida sem volta.
Nesta época, eu já fazia parte de A.A., mas minha vida de adicção ativa ainda trazia as consequências e, dentre elas, era justamente o meu afastamento da família, por motivos alheios a minha vontade. Eu não podia estar junto deles, pois havia seríssimos problemas que me impediam. Por isso, não tive a oportunidade de ver meu Pai em seus últimos dias de vida. Eu sofro mais ainda quando me lembro disso. Fico sem querer me perdoar, pois eu deveria ter ido lá, mesmo que acontecesse as piores das hipóteses. Porém, eu não fui. Aceitei os pedidos dele e de minha família toda de que eu não deveria ir lá. Sempre nos falávamos por telefone. Conversávamos bastante. Lembro-me da última vez que nos falamos por telefone. (me emociono).
...

...Já faz alguns instantes que iniciei este Post, mas me emocionei bastante, ao ponto de ter que parar um pouco.


Não vou mais prolongar este assunto, pois sei que minhas palavras andam longe de conseguir expressar todo o meu carinho, a minha saudade e o meu amor por meu Pai. Sei que minhas palavras andam longe de conseguir expressar meus lamentos por não ter ido vê-lo, em seus últimos instantes.
Mas também sei que agora não vai adiantar mais nada, pois não posso voltar atrás. Sei também que isso só vai aumentar ainda mais a minha depressão e o meu sentimento de culpa. E isso não vai ser legal pra mim.
Eu prefiro ficar aqui me lembrando das coisas boas que ele me deu e me proporcionou.
A cada abordagem que eu faço à um adicto, eu me lembro daquela abordagem que ele me fez. Aliás, daquelas abordagens que ele me fez, pois não foi da primeira vez que ele me convidou à ir em A.A. que eu aceitei. Eu precisei sofrer muito para poder aceitar. Eu precisei apanhar bastante para poder admitir que realmente eu precisava permanecer sem fazer uso de substâncias.
Na real, na real, eu nem fui pro A.A. para parar de beber! Eu fui no A.A. pra conseguir uma garrafa de bebida. Sim, pra conseguir de meu Pai uma garrafa de bebida, pois ele havia me dito que se eu fosse pra reunião, ele me daria. Essa história eu já comentei detalhadamente num outro Post - 18 de Setembro.
Hoje, anos depois daquele meu primeiro dia na reunião, eu continuo voltando e fazendo as coisas que ele me ensinou a fazer dentro da Irmandade. Quando eu ingressei, ele me levava cedo para as reuniões, para que eu ajudasse ele na limpeza da sala. Naquela época, podia-se fumar dentro de lugares fechados e nas salas de A.A. não era diferente. (se bem que ainda hoje algumas salas há espaço para fumantes). Então, ele me levava e mandava eu limpar os cinzeiros e passar um pano nas cadeiras, enquanto que ele varria a sala e arrumava a mesa. O café, um dia ele fazia e no outro era eu.
Em seguida, ele me apadrinhou nos demais Serviços da Irmandade. Ainda hoje estou como Servidor e com muita GRATIDÃO.
Agora eu vou retornar às minhas atividades diárias. Vou no escritório onde trabalho e vou conseguir um tempinho para ir visitar minha amiga que está querendo internar-se, devido ao uso prejudicial de drogas. Também vou aproveitar para passar nos centros de recuperação que faço parte da equipe técnica, para rever meus amigos e amigas que estão ali, se recuperando. Só estou com três dias sem vê-los, mas é como se estivesse com um mês. Eu sinto necessidade de estar ali, junto deles, compartilhando cada momento de sua recuperação. Gosto de ver cada sorriso de alegria. Gosto de escutar suas partilhas. Gosto de dar atenção à quem está totalmente desamparado da família e da sociedade. Percebo que têm muitos que estão ali conosco, que a família nem vai fazer uma visita. Nem ao menos se quer dá um telefonema, procurando saber como estão. E eles sentem isso. Eles sentem falta dessa assistência familiar. Recentemente, uma de minhas internas disse que estava querendo sair de lá, pelo fato da família não ligar pra dizer, pelo menos, como estava a sua filhinha, que estava muito doente quando ela havia sido internada no centro de recuperação. A família ficou cuidando da criança, prometeu que repassaria as informações para a Instituição, mas até agora, nada!
Eu sei que existem casos e mais casos, e que nem sempre concordamos com todas as informações que as familias repassam para os internos das Comunidades Terapêuticas. Realmente existem informações que não devem serem repassadas, como se fosse o caso, por exemplo, de um agravo da saúde desta criança, pois não iria adiantar de nada, até porque a mãe está também doente e também em estado grave de saúde, se tratando num local onde já não é de fácil convivência, ainda mais com informações que possam desmotivá-la a permanecer conosco e motivá-las a sair, não para ajudar a filhas, mas para usar drogas, com justificativa de que a filha tá doente.
Mas eu já mandei ir atrás e verifiquei que, Graças Ao PODER SUPERIOR, a criança está bem.
Bom...agora eu devo ir. Vou procurar compartilhar com meu próximo, aquela mesma Dádiva que meu Pai compartilhou comigo. Estou mesmo precisando de ver um sorriso de Gratidão. Estou mesmo precisando ver um brilho nos olhos. Estou mesmo precisando escutar....mas também estou precisando falar....e lá eu sei que posso falar, que eles me entendem. Então, eu vou lá! Vou primeiro no meu trabalho, mas vou arrumar um tempo de ir lá, agora na hora do almoço.
Quero deixar aqui um forte abraço à cada um de vocês e meus votos de uma excelente semana.
Finalizo com umas palavras que deixei escrita hoje na foto de meu Pai, que tenho no meu orkut.
Abração e TAMUJUNTU.




Acordei hoje numa deprê enorme. Tô aqui numa situação de isolamento, fujindo das pessoas, para não magoá-las diante do meu baixo astral.
Hoje seria um dia onde, constumeiramente, eu te dizia: "Parabéns, Painho! Feliz Aniversário!"
Queria muito poder escutar sua voz! Queria muito!
Infelizmente tenho que me conformar com sua ausência. Mas sinto tanta saudade, sinto tanto a sua falta, que lembro do Sr  todos os instantes, fazendo com que eu sinta o Sr pertinho de mim...aliás, o Sr está e sempre estará dentro de mim,,,,,no meu coração.


Te amo, Painho...
Saudades!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

SEM PALAVRAS....

Dia desse, passando por uma rua da Cidade, encontrei um cidadão. Por alguns instantes, achei que ele estava me olhando demais e acabei fitando-lhe também. Ele fez um gesto de quem estava me chamando e eu, vagarosamente, me aproximei.
"- Tá lembrado de mim?" - Perguntou, com um belo sorriso.
Eu busquei nos meus castelos de onde era que eu poderia conhecer aquele homem, mas nada veio-me a mente. De fato, parecia-me uma pessoa nova. Observei que ele tinha um crachá no pescoço. Li rapidamente o nome da Empresa, tentando associá-la a algum cliente meu ou algo parecido. Mas nada de memória funcionar! Achei, então, estar sendo confudido com alguem, pois não lembrava de forma alguma, daquele rosto "estranho".
"-Não!  Tô não! Eu lido com tanta gente que as vezes quero me lembrar de todo mundo, mas fica difícil." - Respondi, um tanto envergonhado, pois já estava percebendo que ele realmente me conhecia, pois já estava me abraçando fortemente quando eu falava isso.
Ele disse: "- Cara!   Sou eu!    O Ronaldo!   Ronaldo que tu me levou pra Fazenda, há uns anos atrás, tás lembrado?   Tu me viu lá no posto, começou a conversar comigo e perguntou se eu queria ir pra um lugar me tratar e eu aceitei....tás lembrado agora?"

Naquele momento, passou-se um filme em meus castelos. Fui longe, aonde minha memória não tinha, até então, ido. Consegui resgatar momentos que não poderia, jamais, ter esquecido. Na real, na real, não estavam esquecido...apenas guardado num lugar especial de minha resquícia memória e no meu coração.
Naquele momento, abraçados um ao outro, choramos. Emocionalmente a cena ia contagiando nossos amigos que estavam presenciando nosso reencontro. Ele me deu um abraço tão forte, mas tão forte...
Que momento marcante!
Conversamos bastante! Daquele momento em diante, pelas próximas três horas, ficamos juntos, sentados uma lanchonete, colocando em dias nossa amizade. Ele contou-me como tirou sem tempo na fazenda, pois realmente havia tempo que não nos víamos. Muitos anos mesmo! Naquela época, eu estava viajando bastante e eu havia levado ele para uma fazenda bastante conhecida mundialmente, mas eu não estava podendo ir visitá-lo periodicamente. Recebia notícias por telefone, onde até hoje, eu tenho contatos com a coordenação de lá. Mas depois que ele havia saído de lá, ele foi para sua cidade natal, que é no Rio Grande do Sul e de lá pra cá, não mais havia retornado ao Nordeste.
Existe uma frase em uma Literatura que diz o seguinte: "DEUS AGE DE FORMA MISTERIOSA NAS REALIZAÇÕES DE SUAS MARAVILHAS!".
Realmente é um mistério como as coisas acontecem!
Eu estava com um outro amigo meu, retornando para o serviço, quando sugerimos ir logo ver o preço de uma passagem para um determinado local. Resolvemos, então, retornar por outra rua e foi quando encontramos este meu querido amigo Ronaldo, que também estava ali procurando um mecânico para consertar seu carro, que havia dado um problema, justamente na hora em que passava pela Cidade que estou.
Nem preciso dizer que é um mistério como isso aconteceu!
Hoje mesmo eu liguei para ele. Conversamos uns instantes e ele ficou de me mandar a passagem para eu ir conhecer a família dele, que hoje ele está casado, está com três filhos(as). Inclusive, me mostrou as fotos e alguns vídeos da famíla. No dia que nos reencontramos, ele ligou pra família toda dele, colocando-me pra conversar com a Mãe dele, com o Pai, com a Esposa e a Filha mais velha. Todos se emocionaram quando conversamos.
Realmente pra mim foi uma alegria imensa ver aquele homem mudado, recuperado, reintegrado a sociedade, à família e à vida!
Hoje ele ocupa um cargo de chefia numa multinacional.
Estou feliz e compartilho este momento com todos vocês!
SÓ POR HOJE - FUNCIONA!
Abração e TAMUJUNTU.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

EU TE ENTENDO!

Sou seguidor de muitos blogs de codependentes. Acompanho histórias e mais histórias de famílias desesperadas. Também lido, em minhas atividades diárias, com tratamento e recuperação de adictos e, também, acompanho de perto o sofrimento das famílias. Faço isso já há um certo tempo e tenho presenciado fatos impactantes que realmente mexem muito comigo.
Eu me identifico muito com cada partilha. Enterndo direitinho cada palavra proferida pelas Mães, Pais, Esposas, Filhos. Aliás, entendo tanto que, quando começo a escutá-los(as) ou a ler (nos blog's) o início do parágrafo, já sei o que vão dizer no final. Entendo perfeitamente cada linha de raciocínio também. Sei como estão sentindo-se e tudo o mais. Realmente, eu te entendo!
Mas eu também sei como é que é ser um Dependente Químico. Sei como é viver como o seus familiares (os adictos) estão vivendo. Sei como é que é agir como eles estão agindo. Sei como é ruim ter que fazer as coisas que sabemos ser errado fazer, e mesmo assim, fazer porque não conseguimos controlar nossos impulsos, nossa doença. Eu também endendo isso! Sei como é ruim ter que encarar nosso familiar depois de ter feito uma vergonha imensa, independente do que tenhamos feito.
Não é somente a família quem fica com vergonha, não. Eles (os adictos) também ficam com vergonha....acreditem!
Eles também ficam triste pelo que estão fazendo, mas ficam sem outra alternativa, sem terem forças para fazer ao contrário, pois não estão fazendo as iniciativas corretas para que todo o resto também dê certo. Eles não estão acionando o "botão da boa vontade", de forma que eles possam ter forças para agir com sanidade, fazendo as coisas certas.
Eu custumo dizer que nós, adictos, para conseguir iniciar nossa recuperação e permanecer nela, temos que "ingatar uma marcha de força", "acionar o botão de tração", assim como esses carros que tem tração nas quatro rodas têm que fazer para conseguir andar em terrenos lameados, nas mais difíceis situações do solo.
Por mais que nós, enquanto família, não acreditamos muito que alguns adictos não têem vontade de se recuperarem, a verdade é que eles têm, sim, vontade.....mas vontade, apenas, não é tudo....vontade tem que ser com força.....com força de vontade....mas infelizmente eles estão tão doentes que não estão mais conseguindo ter esta força necessária e vital para que consiga reerguer-se.
É justamente aí que entra a importância da família em ajudar. Primeiro, antes de mais nada, é preciso saber como ajudar, pois quando não se sabe ajudar, é melhor não atrapalhar.
Entendo que grande maioria das famílias dos DQ tem vontade de ajudá-los. Digo grande maioria porque tem familia que não estão nem aí pra eles. Sem falar que conheço famílias e mais famílias que estão todos na mesma situação, então, não tem como um dar atenção e ajuda ao outro. Estão todos necessitado de cuidados, mas não pode dar entre si.

Para enfatizar mais ainda essa questão das famílias que estão quase todas envolvidas com as Drogas, eu não preciso ir muito longe, não.....basta eu falar da minha família. Todos meus irmãos tiveram e alguns deles ainda têm envolvimento com Drogas.
Quero aqui trazer um outro caso, onde eu conheço pessoalmente a família em questão. Trata-se de uma família moradora do meu querido Recife/PE. Quase toda a família tinha envolvimento com Drogas.
No dia 26 de Dezembro de 2011, Rafaela, com apenas 11 anos, teve uma overdose. Segundo alguns amigos nossos em comum, que tiveram com ela poucos instantes dela morrer, disseram que ela havia consumido maconha, havia cheirado cola e loló. A Polícia também chegou a prender um homem e um outro menor que estava com ela no momento de sua morte.
Algum tempo depois, a irmã dela, com apenas 17, também faleceu, devido ao envolvimento com Drogas. Elas já haviam perdido a Mãe e um irmão, também por causa das Drogas.
Vejam o que diz o site O GLOBO....click no link: http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/01/05/morre-em-recife-irma-de-menina-de-11-anos-vitima-de-overdose-de-drogas-923426798.asp

"É o quarto membro da família que morre devido ao consumo de entorpecente. As duas já haviam perdido a mãe e um irmão, também devido ao vício. De acordo com laudos policiais, Rafaela e o irmão tiveram parada cardíaca, devido ao uso de loló. "


Imagem de Rafaela - 11 anos - overdose.


Este outro link também trás a matéria com mais detalhes e fotos: http://pe360graus.globo.com/noticias/policia/drogas/2011/01/05/NWS,527005,8,585,NOTICIAS,766-IRMA-MENINA-VITIMA-DROGAS-MORRE-SUSPEITA-OVERDOSE.aspx


Então, conheço esta realidade e me identifico com ela. Hoje eu vivo os dois lados da DQ. Hoje estou me recuperando e ajudando outros a si recuperarem. Mas hoje eu vivo com a dor de ter meus irmãos ainda na ativa, vivendo nas ruas.
Mas, como diz a história, eu só sou responsável pela minha recuperação. Só posso evitar o meu uso, não posso evitar que eles usem. Eu só consigo modificar a mim mesmo.
O máximo que eu posso fazer por eles e por tantos outros, é ajudá-los.....mas depende deles querer e aceitar ajuda.
Abração e TAMUJUNTU.