Sejam Bem Vindos!

Quero agradecer, carinhosamente, pela sua visita e espero que possamos continuar partilhando experiências, as quais considero-as importantes para manutenção de minha recuperação.
Sua partilha (comentários) aqui nos Posts, bem como seguir-me quando julgares conveniente, é importante para que possamos estreitar ainda mais a nossa amizade, algo que é fundamental para um crescimento em nível de ser humano...ainda mais quando se trata de um adicto em recuperação, como eu.
Por isso, mais uma vez, muito obrigado por sua presença!
Que bom que você veio! Que bom que você me visitou!
Melhor ainda será ler seus comentários e ver-te aqui, sempre que possível, ajudando-me dia-a-dia.
Que O PODER SUPERIOR continue te concedendo o direito de reconhecer, aceitar e realizar a Vontade DELE, em todas as suas épocas e lugares, para que só assim, possas continuar desfrutando destas Dádivas de renovados dias Limpos, Serenos e repletos de Saúde e Paz!
Abraços e TAMUJUNTU.
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quarta-feira, 12 de junho de 2013

QUINTO PASSO






Admitimos a Deus, a nós mesmos e a outro ser humano a natureza exata de nossas falhas.”.


Admitir. Confessar.  Declarar como tal. Concordar como certo. Reconhecer. Assumir.
Todos esses verbos são realmente impactantes na vida de um adicto, quando de sua ativa. Dificilmente um de nós chegou à sala, sem que antes tenha negado, rejeitado, impugnado, contestado sua maneira de usar drogas como sendo descontrolada. Realmente não é fácil reconhecer um erro, uma falha, muito menos uma impotência. Tivemos que fazer isso quando iniciamos nossa caminhada rumo a sobriedade, admitindo que nossas vidas haviam se tornado ingovernáveis e que havíamos perdido o controle sobre nossa maneira de usar drogas. Demos, finalmente, o primeiro passo em NA e/ou em A.A..

Mas permanecer sóbrio é muito aquém de permanecer limpo, abstêmio. Sobriedade é um estado emocional e não apenas um período de abstinência contínua. Muitos de nós permanecemos “limpos, só por hoje”, mas continuamos com aquelas velhas manias e atitudes de outrora, quando ainda de nossa ativa, com comportamentos de um verdadeiro “bêbado seco”, como dizemos na sala.

Continuamos seguindo nosso sugerido programa de recuperação e nos deparamos com os passos seguintes, nos revelando que somente um Poder Superior a nós poderia nos devolver a sanidade e decidimos entregar nossas vidas e vontades ao cuidado Dele. Fizemos um minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos e agora temos que admitir a natureza exata de nossas falhas perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano. Nem todos conseguem ser honesto consigo mesmo e a recuperação fica distante.

Uma característica de quase todos os que sofreram (sofrem) com alguma dependência, é o isolamento.  Mesmo em meio a uma multidão, ou participando de atividades em que outras pessoas se sentiriam unidas, não nos sentimos que fazemos parte daquele grupo. Mas quando chegamos à sala de nossos grupos de mútua ajuda, começamos a sair do isolamento emocional. No início, alguns de nós ficamos apenas ouvindo, pois é difícil vir a público e ter que falar de si coisas vergonhosas e que nos faziam sentir frágeis. Entretanto, é dessa fraqueza que vem a força de dar a volta por cima.

Quando começamos a admitir para nós mesmos que temos uma falha; quando procuramos de alguma forma partilhar isso com nosso Poder Superior e somos honestos com nós mesmos e com outro ser humano, nossa sensação de inferioridade deixa de tomar espaço em nossa mente e em nossos corações, dando uma pequena, porém, significativa “brecha” para que possamos ouvir, mesmo que silenciosamente, uma fala, uma palavra, uma opinião, uma sugestão, um conselho, uma partilha, uma linguagem do coração, algo que possa nos mostrar que somos falhos, mas que não necessariamente devemos viver falhando. Somos imperfeitos, mas podemos a cada dia, procurar nos aperfeiçoar. E para isso, temos Doze, porém, longos Passos, que nos libertam de toda e qualquer falha e defeitos de caráter. Basta que procuremos vivê-los intensamente, a cada instante de nossas vidas.

A confissão é um ato muito antigo, usado para livrar o ser humano do peso do erro. Quando se trata em ter que admitir perante outro ser humano a natureza exata de nossas falhas, surge aqui uma grande diferença entre o que partilhamos em sala e o que devemos partilhar com nossos padrinhos/madrinhas. Eis aqui um detalhe que faz toda uma diferença, pois nem todos os que hoje chegam à sala, encontram apadrinhamento necessário para sua aplicabilidade dos Doze Passos. Como dizia Bill W. Co-fundador de A.A. : “ Muitos ainda virão à nossa Irmandade e voltarão a beber devido a falta de apadrinhamento necessário ao seu grau de alcoolismo”.    É bem verdade isso. Não encontramos mais aqueles companheiros (as) com tempo, amor e boa vontade em nos conduzir a um porto seguro, nos mostrando como realmente funciona nosso sugerido programa de recuperação. Isso consequentemente nos deixa sem muita opção de encontrar um padrinho para trabalhar os Passos, o que pode fazer um grande diferencial, pois ao trabalhar o Quinto Passo, por exemplo, devemos saber com quem iremos confessar esses que julgamos ser nossos maiores defeitos de caráter.    E sendo assim, logo nos vem àquela velha ideia de que “posso deixar pra trabalhar isso depois, já que não está me atrapalhando tanto assim”, ou mesmo “posso deixar pra trabalhar esse Passo depois, já que não tenho ninguém de confiança pra partilhar”.  Isso seria o mesmo que reconhecer uma infecção e deixar de tratá-la.

Aqui deve prevalecer o critério da honestidade para consigo mesmo. Uma vez admitida nossa derrota completa... Uma vez reconhecida nossa impotência perante nosso primeiro gole... Uma vez confessado a si mesmo quais são nossas falhas (aquelas relacionadas em nosso Quarto Passo), não podemos fazer ao nosso padrinho/madrinha, uma confissão superficial de nossas falhas. Tem que ser “a natureza exata de nossas falhas”, justamente para evitar a camuflagem de falhas que podemos achar que vamos levar para o túmulo.

Ao praticar o Quinto Passo sem apego a nenhuma dessas falhas que confessamos, nos livraremos da forte carga emocional que tanto nos incomodou e somente daí por diante, podemos estar aptos a desfrutar de uma verdadeira sobriedade emocional, além, claro, de nossa valiosa abstinência.



A confissão dá início ao reparo e restabelecimento de relacionamentos desfeitos. Ao fazermos o Quinto Passo, começamos a reconhecer que foi nossa fraqueza que influenciou nossas escolhas e começamos a compreender nossa tendência a ter pensamentos e emoções negativas, tais como egoísmo, medo, orgulho, inveja, justificação de nossos erros, raiva, ressentimentos, paixão e desejos não reprimidos, etc.
Não podemos confundir o Quinto Passo com um desejo obsessivo de estar revivendo aquelas insanidades da ativa. O propósito do Quinto Passo é justamente o oposto disso. Fazemos o Quinto Passo não para reviver aquelas coisas que confessamos, mas para começar a distinguir o bem do mal para nós mesmos e escolher o bem.

Dizemos que o Quinto Passo é à saída do isolamento. De fato, encontramos em nossas trocas de experiências, algo que jamais iríamos encontrar, colocando a culpa de nossos problemas nos outros. Quando nos abrimos para ouvir partilhas de fé, forças e esperanças e ao mesmo tempo nos colocamos em condições de admitir nossas falhas, estamos prontos a seguir em frente e permitir que Deus remova todos esses nossos defeitos de caráter... Agora é só nos prontificarmos!
Bons momentos a todos!
TAMUJUNTU.
Júnior, um adicto em recuperação, limpo, só por hoje!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

DO "OFF" PARA O "HOLOFOTE" !!!

Olá, pessoal!
Tudo bem com vocês ?
Eu estou bem, graças ao PODER SUPERIOR.

Só por hoje, não quero me lamentar de meus problemas, pois os encaro como oportunidades de crescimento. Independente do nível de dificuldades desses obstáculos, sei que são provações para ver até onde vai a minha tão pouca fé. Realmente minha fé é pequena demais, entretanto, continuarei acreditando que dias melhores virão.

Esses dias, conversando com um amigo sobre uso controlado de substâncias, ele disse que havia voltado a usar, mas que estava conseguindo fazer isso controladamente. Eu não questiono esses assuntos, porque eu sei que isso é uma questão altamente pessoal e não serei eu quem irá dizer quem está fazendo ou não uso abusivo. As coisas falam por si só. As situações acontecem de maneiras desordenadas e notórias, ao ponto do usuário deixar transparecer sua impotência, apesar de todos os esforços para fazer ao contrário. Isso simplesmente é fato.

Quando ainda conseguimos fazer uso de maneira controlada, discretamente, usando uma vez aqui, outra acolá, sem nem previsão de usar novamente, quase ninguém percebe que usamos drogas. Fica uma coisa tão discreta que chegamos a qualquer lugar e só quem é “maluco” é que percebe que “fizemos a cabeça”.

Mas quando a situação foge do controle... Quando a gente não tem mais condições de ficar só num baseado... Quando a gente sai pra tomar uma dose pra tomar banho e acaba dormindo sujo... Quando a gente sai pra tomar uma dose e comprar uma mistura para o almoço de domingo e só volta na segunda de madrugada, carregado pelos outros e ainda sem nem um centavo no bolso... Quando a gente sai pra pagar uma conta e de repente resolve dar só uma “pipada” e acaba gastando todo o dinheiro e ainda empenhando os documentos... Quando a gente sai pra lavar o carro e resolve fumar uma e termina vendendo o toca CD e o estrepe do veículo... Quando situações como essas acontecem, certamente não é necessário alguém perguntar se a pessoa fez uso de algo. Não é preciso ser nenhum adivinhão para perceber que esse usuário não faz uso controlado.

Eu tinha um amigo (já faleceu) que sempre que ele conhecia alguém que usava ainda escondido dos familiares, ele dizia assim: “Cuidado pra não sair do off para o holofote!”.    

Ele dizia que seria uma questão de tempo para que todos soubessem da real.  Ele estava certinho.   São pouquíssimas as pessoas que eu conheço que fizeram uso de drogas que nunca foram descobertos pelos pais. Essas poucas pessoas, ou fizeram uso por pouquíssimas vezes ou usam esporadicamente. Não vou dizer que isso não aconteça, pois acontecem...mesmo sendo casos raros.

Porém, grande maioria dos que enveredam no uso de drogas, logo saem do “off” e vão para o “holofote”.    Nem precisam de mais publicidade para tornar-se conhecido, pois a impotência à primeira dose é suficiente para deixar transparecer que o uso é abusivo. Suas atitudes são totalmente contraditórias às suas versões de que “uso quando quero e paro quando quero!”.   Isso parece ser o pai nosso de todo adicto.   Magoado com tudo e com todos, ele sai para um “refúgio” no primeiro gole ou no primeiro trago, acreditando que ninguém vai perceber que ele vai usar e quando ele menos espera, está vivendo aquela frustação de que algo não saiu como ele queria.

Assim é a vida de um adicto na ativa. Ou é abstinência total ou é derrota total.

Àqueles que ainda conseguem beber ou usar qualquer outra droga controladamente, tenham cuidado!    

A dependência química não dá aviso prévio. Uma hora você sai, usa e volta... Na hora seguinte, você pode ir e não voltar!

Continuarei acreditando que sou impotente perante às drogas, que perdi o domínio sobre minha vida, que não tenho condições nenhuma de fazer uso controlado e que, mesmo que eu tivesse toda garantia do mundo de que eu iria controlar meu uso, ainda assim, continuarei acreditando que viver sem drogas é bem melhor que viver drogado.

Só por hoje, minha vida tem mais sentido quando não estou perdendo meu tempo, meu dinheiro, minha saúde e possivelmente minha vida, com uso de drogas.

Quero agradecer carinhosamente a cada um de vocês que compartilham comigo suas experiências, forças e esperanças, transmitindo-me essa energia motivadora para continuar acreditando que um adicto, qualquer adicto, pode parar de usar, perder o desejo de usar e encontrar uma nova maneira de viver sem drogas.

Agradeço ao PODER SUPERIOR por mais essa Dádiva de minha recuperação, vivendo limpo, só por hoje.

Aceitem um forte e carinhoso abraço.
Bons momentos a todos.
Abração e TAMUJUNTU.

Júnior, um Adicto em Recuperação, Limpo, Só Por Hoje!