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domingo, 4 de agosto de 2013

OS JOVENS E AS DROGAS NAS ESCOLAS.



Participei recentemente do I Fórum Sobre Álcool e Outras Drogas, promovido pela Secretaria de Saúde do Município de São Mateus, distante 180 KM de São Luis, capital do Maranhão. Fui palestrante com o tema: “Os Jovens e as Drogas nas Escolas”.

O consumo de drogas cresce consideravelmente a cada dia, pois ela não escolhe religião ou nível social; está presente em todos os lugares e realidades desde muito tempo. Esse aumento pode ser atribuído a vários fatores, principalmente aos que se referem na forma em que é transmitida a informação sobre a droga e quem a recebe. A prevenção do uso indevido de drogas é fundamental para a sensibilização sobre os riscos e perigos causados por elas. Nas escolas, as ações de prevenção ao uso de drogas e de prevenção ao abuso de drogas, não deveriam ser isoladas ou tratadas fora do contexto de uma prática pedagógica.

Cabe aqui um esclarecimento importante. É sobre a GRANDE DIFERENÇA entre a prevenção ao uso de drogas e a prevenção ao abuso delas.

Quando o trabalho preventivo é em relação ao uso de drogas, o objetivo principal é que o jovem sequer experimente. Ou seja, a ideia é fazer, por exemplo, que, nas festas, os jovens nunca experimentem álcool. Por outro lado, o trabalho preventivo ao abuso de drogas tem outra estratégia: o que se pretende é educar o jovem a não fazer uso abusivo de uma droga, como, por exemplo, ficar embriagado numa festa. A diferença entre essas duas posturas preventivas está no fato de que a primeira não leva em consideração a realidade vivida pelo jovem, enquanto a outra trabalha com essa realidade.     O trabalho preventivo ao uso abusivo de drogas considera o fato de que o jovem está sujeito a experimentar e usar uma droga eventualmente, e dessa maneira, o trabalho preventivo está em educar as pessoas a fazer o uso com moderação e responsabilidade. Isso nos leva a outra questão importante: - será que isto é possível?

Na verdade, um trabalho preventivo deve ter como objetivo fazer com que o jovem pense e reflita de maneira crítica sobre sua vida, suas escolhas, seus desejos, suas frustrações e seu futuro. Então, um trabalho preventivo ao uso abusivo de drogas deve romper com a visão simplista da mera proibição.

O assunto “Drogas” já está tão inserido em nosso meio que raramente passamos um dia sem escutar essa palavra ou mesmo ver alguém fazendo uso destas substâncias, por mais longínquo esteja da civilização.

Quando falamos “Drogas”, logo no vem à mente que estamos falando de coisas tipo “crack, cocaína, maconha, etc”... Mas nos esquecemos de falar no cigarro, no qual os adolescentes o fazem de sinônimo de “status”. Esquecemo-nos de falar das anfetaminas, que por serem drogas estimulantes da atividade do sistema nervoso central, também são bastante consumidas por estudantes que passam noites acordadas. (Cabe aqui dizer que O Brasil é o maior consumidor de anfetaminas do Mundo! Mais de 1,5 milhão de pessoas consomem quatro toneladas da droga por ano.)     Esquecemos também de que álcool é droga e segundo Relatório Global da Situação sobre Álcool e Saúde, apresentado pela Organização Mundial da Saúde dois milhões e meio de pessoas morre por ano, por causas relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas. São mais de 320 mil jovens mortos por ano.

 Nem por isso, associamos bebidas alcóolicas a drogas perigosas e nem muito menos isso fará com que as pessoas deixem de beber, assim como são poucas as pessoas que deixarão de usar as drogas ilícitas.

Para ter-se uma noção, um Comparativo entre os Levantamentos dos Estudantes – Uso na Vida (Fonte: OBID - Ano IV - Nº. 06 - Junho de 2005 - Secretaria Nacional Antidrogas), a Região Nordeste teve um crescente percentual de estudantes fazendo uso de bebidas alcoólicas, apresentando Fortaleza-CE como uma das capitais de maior índice de estudantes usuários, onde 80,8% faziam ou já fizeram uso de bebidas alcoólicas com regularidade. Considerando que a pesquisa foi apresentada em 2005 e que se estima um aumento sobre este percentual, pois já se passaram oito anos, podemos dizer que, minimamente, temos um percentual de 92% dos estudantes que fizeram ou fazem uso de bebidas alcoólicas, (isso considerando o mesmo nível de estudo dentre os pesquisados).


Nem é necessário irmos muito longe para termos uma ideia do quanto a bebida alcoólica está presente em nossas vidas. Basta que analisemos minuciosamente nossas vidas e nos questionemos:  -Quantos em minha família fazem uso (mesmo que moderado) de bebidas alcoólicas?  - Quantos jovens eu vejo usando bebidas alcoólicas diariamente?

O álcool está presente em quase todas as festas e cerimônias. Qualquer que seja a reunião ou encontro que se faça, o tirano álcool está presente. Dificilmente deixa-se de coloca-lo na lista de convidados das atividades “sociais”. Antigamente, nas festinhas de crianças, pensava-se primeiro no bolo, nos refrigerantes, brigadeiros, salgados, decoração, etc... Às vezes, uma bebida de leve era servida para os pais das crianças. Hoje em dia é diferente. Quando se vai fazer um aniversário... Aliás, antes mesmo de fazer... Na hora de pensar em fazer a festinha de aniversário, já se pensa em quantos litros será comprado. Já se programa quantas “latinhas” terão que ser comprada e se o freezer irá comportar tudo. Já se pensa onde será a “bagaceira”, pois já se sabe que o local tem que ser próprio não para as crianças brincarem, mas para os adultos fazerem a “farra”, que geralmente acaba em pancadaria, brigas, desavenças, confusões, quando não na delegacia ou no hospital ou no cemitério.  Mesmo assim, a bebida alcoólica estará presente.

Trazendo essa realidade para dentro da escola, temos um universo paralelo, onde costumeiramente tendemos a colocar a responsabilidade da educação de nossos filhos aos educadores, principalmente quando descobrimos que nossos filhos (sobrinhos, netos, irmãos, etc) estão envolvidos com drogas (lícitas ou ilícitas) e que isso acontece no horário escolar, ou nas proximidades das escolas, ou mesmo com algum outro colega da escola.

Pela quantidade de alunos, a escola passou a ser um mercado promissor para o aliciamento e venda de droga. Principalmente os adolescentes, aos quais pela vulnerabilidade e pelas condições em que vivem e que naturalmente despertam para a vida, ficam como “isca” para os traficantes.

Vamos analisar aqui uma coisa: Qual o papel da escola?



A escola é uma instituição onde se concretiza o direito à educação e deve contribuir fortemente para o pleno desenvolvimento da personalidade, da formação de carácter e de cidadania do educando, para o desenvolvimento da competência comunicativa e da valorização da Língua e Cultura. Deve assegurar a sua formação cívica e moral, assegurar o direito à diferença, desenvolver a capacidade para o trabalho e proporcionar uma sólida formação geral e uma formação específica para a ocupação de um justo lugar na vida ativa, que permita ao indivíduo ter uma participação ativa no progresso da sociedade em consonância com os seus interesses; A escola deve ainda contribuir para desenvolver o espírito e a prática democráticos, através da adoção de estruturas e processos participativos na definição da política educativa, na administração e gestão do sistema escolar e na experiência pedagógica cotidiana, em que se integram todos os intervenientes no processo educativo, em especial os alunos, os docentes e as famílias.



TOTALMENTE PARADOXAL: Enquanto que o papel da escola é a formação de cidadãos idôneos, com respeito aos valores éticos, morais e cívicos, respeitando e valorizando a vida, as drogas estão em outro extremo e quando inseridas no âmbito escolar ou na vida do corpo docente e discente, desvaloriza todos estes princípios, trazendo graves consequências ao usuário, à família e à sociedade.
      ...E a escola perde o seu papel.

Será que nossas crianças estão de fato seguras dentro das escolas?

Quando vamos admitir uma babá para cuidar de nosso(s) filho(s), normalmente fazemos um inventário sobre a vida dela. Procuramos saber antecedentes criminais, indicação de terceiros, e informações até a terceira geração de descendentes. Qualquer coisa que desabone a conduta da mesma, já era a oportunidade de admissão.

O mesmo não acontece quando vamos matricular nossos filhos na escola. Geralmente, quando muito acontece, procuramos uma que sabemos por terceiros que é uma boa escola. Quando se tem condições de pagar uma particular, já acreditamos que todas são boas e que oferecem o melhor para nossos filhos. Pronto! Já temos tudo o que precisamos. Não necessitamos de fazer mais nada. Nem mesmo precisamos saber sobre o ambiente ao redor da escola e nem muito menos se a escola já teve algum registro de violência escolar. Sobre os professores??? Isso é o que menos interessa. Se ele está lá, certamente é uma excelente pessoa, (como se professores fossem imunes as Drogas). Agora é só levar nossos filhos à aula e deixar que os professores façam o resto.      Mero engano!    Aí é onde mora um grande perigo. A educação não pode ser delegada somente a escola. Aluno é transitório... Filho é para sempre.  Educação de ensino é com a escola. Educação de valores é com a escola e com a família.

Quer ver uma coisa?   Existe uma Lei que proíbe o funcionamento de bares a menos de 200 metros de escolas. Em alguns lugares, essa Lei é municipal e requer no mínimo 100 metros. Porém, tenho quase certeza de que nem todos os pais conhecem essa Lei e digo mais ainda: mesmo os que conhecem, não estão muito preocupados com isso, pois nem se preocupam em matricular seu filho em escola que tenham bares funcionando bem ao lado. Afinal, (dizemos nós), eu estou levando meu filho(a) é pra escola e se ele quiser beber, tanto faz se o bar fica perto ou longe!

Mas para lidar com o problema, é preciso que a escola como um todo esteja preparada para tal.

Um dos perigos de lidar com o uso de drogas nas escolas é a generalização. O profissional precisa saber que está lidando com pessoas diferentes e com o uso de drogas diferentes. Não há uma ‘fórmula’ para lidar com a questão, sendo assim, cada aluno precisa ser avaliado e tratado de forma única. Normalmente não se tem um profissional dentro da escola que seja capacitado para essa função ou para abordar o estudante, sendo assim, aconselha-se que o professor mais ‘próximo’, com um vínculo maior, tenha o diálogo com o aluno, ou mesmo que seja encaminhado para profissionais que atuam no tratamento e recuperação de usuários de drogas.


Outro dia, vi quando um Secretário de Segurança (Renato Penteado Perrenoud) disse que “...a equipe escolar deve ser capacitada para entender as diferenças entre os tipos de infração, de forma a discernir quando é necessário aplicar o regimento escolar, o Estatuto da Criança e do Adolescente ou o Código Penal.”.



Realmente, há casos onde os Professores e/ou Diretores ficam perdidos, sem saber o que fazer.  A cada dia , um professor desiste de concluir seu sonho, em terminar sua vida lecionando, pois os índices de violência escolar estão aumentando diuturnamente. Está cada vez mais comum manchetes como estas:             
    

As dificuldades no trabalho preventivo do professor:
 
Não saber como de fato trabalhar a prevenção com os alunos.
Medo de sofrer alguma violência física. 


O número de agressões a professores e funcionários aumentou cerca de 40%. Professores e pais reclamam mais técnicos nas escolas e alertam que o relatório do Ministério da Educação está longe da efectiva realidade vivida nas escolas.
Fonte: Jornal de Notícias (em 2010-06-19)



 
Porém, diante dos números de violência aos Professores e de Alunos envolvidos com Drogas, o que pode o educador fazer diante de tal quadro?   


É necessário entender, antes de tudo, que em Dependência Química, deve-se tratar casos & casos e que as orientações devem serem específicas à tais, individualmente e criteriosamente  analisado, com tratamento diferenciado, acompanhamento personalizado, considerar fatores de risco, estabelecer diretrizes,  conversa com o aluno e encaminhamento para tratamento e recuperação.


   

 Enfim, entendemos que há necessidade de uma equipe multidisciplinar e de um trabalho de cooperação entre os pais, os Educadores, Profissionais da Saúde, do Programa Saúde nas Escolas, PROERD, CAPSad, CRAS, NASF, Poder Público, etc.   

Não podemos nos omitir e nem procurar justificativas para nos eximir de quaisquer parcela de culpa ou responsabilidade. Afinal, Educação de ensino é com a escola. Educação de valores é com a escola e com a família.
Por hoje é só o que tenho para vocês e espero que estejam todos em paz e com muita saúde.

Ficarei aqui, dando minha passadinha nos vossos Blogs, deixando meu “alôzinho” e desejando-lhes bons momentos, repletos de Serenidade, Sabedoria e Sobriedade.
Até o nosso próximo contato!

Continuo sendo o Júnior, um adicto em recuperação, Limpo, só por hoje!
Abração e bons momentos.
TAMUJUNTU.
 

4 comentários:

  1. Menino que texto rico,muitas informações...
    Quero começar falando do quanto seria bom se houvesse esse trabalho preventivo em relação as drogas lícitas e ilícitas nas escolas desde a educação infantil,afinal quantas crianças convivem com essa realidade desde que nascem,melhor dizendo desde o ventre de suas mães,eu mesma desde criança convivo com o alcoolismo,nem sabia o q era mas já convivia com ele...
    Os professores deveriam ser capacitados para fazer isso,ou então toda escola ter um profissional para trabalhar com essa questão,acho de suma importância para a sociedade.
    A informação ter que ser passada, e digo mais na minha opinião igreja como instituição deveria também se envolver nessa temática,independente da denominação,eu sempre que posso falo um pouco sobre isso nas formações que dou para os jovens a qual acompanho,creio que cada um deve fazer a sua parte...
    Ótimo Texto!!
    24 horas de pura serenidade,para vc meu amigo
    TAMUJUNTU

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    1. Valeu, querida amiga!
      Concordo contigo....realmente as escolas deveriam fazer esse trabalho com mais ênfase e obtendo resultados mais satisfatórios. Infelizmente a realidade é outra.
      Mas, nós vamos fazendo a nossa parte, né?
      Obrigado por suas palavras e continue voltando sempre por aqui, pois me fortalece bastante.
      Abração e bons momentos.
      TAMUJUNTU.

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  2. Puxa, amigo, obrigada por tantas informações, afinal, sou mãe de três filhos... Sabe, interessante essa questão de prevenção ao USO, ou ao ABUSO. Sinceramente, como venho de uma família adicta, tento fazer um trabalho de prevenção ao USO, pois temo muito o que o "experimentar" pode causar. Converso muito com minha filha de 13 anos, sem restrição. Digo a ela que droga é bom, mas que o preço a ser pago é alto demais. Oremos por nossas crianças e adolescentes, afinal, sabemos que o trabalho preventivo, embora seja difícil, ainda é mais fácil que o trabalho de recuperação.
    Abração!

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    1. Realmente, Poly, não há nem comparação do trabalho preventivo ao de recuperação.
      Seria interessante que TODOS tivessem esta mesma visão, pois as políticas públicas seriam mais voltadas à este ponto. Entretanto, para quem está com os poderes nas mãos, nem a prevenção e nem muito menos o tratamento "é de responsabilidades deles"...daí, o grande descaso.
      Mas isso não é suficiente para que fiquemos quietos. É tanto que estamos ai preparando outras movimentações, tais como o abaixo-assinado que está prestes a sair em seu blog.
      Abração, amiga....obrigado por suas palavras e continue sempre voltando aqui.
      Bons momentos e TAMUJUNTU.

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