Sejam Bem Vindos!

Quero agradecer, carinhosamente, pela sua visita e espero que possamos continuar partilhando experiências, as quais considero-as importantes para manutenção de minha recuperação.
Sua partilha (comentários) aqui nos Posts, bem como seguir-me quando julgares conveniente, é importante para que possamos estreitar ainda mais a nossa amizade, algo que é fundamental para um crescimento em nível de ser humano...ainda mais quando se trata de um adicto em recuperação, como eu.
Por isso, mais uma vez, muito obrigado por sua presença!
Que bom que você veio! Que bom que você me visitou!
Melhor ainda será ler seus comentários e ver-te aqui, sempre que possível, ajudando-me dia-a-dia.
Que O PODER SUPERIOR continue te concedendo o direito de reconhecer, aceitar e realizar a Vontade DELE, em todas as suas épocas e lugares, para que só assim, possas continuar desfrutando destas Dádivas de renovados dias Limpos, Serenos e repletos de Saúde e Paz!
Abraços e TAMUJUNTU.
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quarta-feira, 23 de maio de 2012

UM RECLUSO QUE É ADICTO - UM ADICTO QUE É RECLUSO


Saudações, queridos(as) companheiros(as)!

Estou certo de que estarei vos encontrando desfrutando de saúde e paz, juntamente com todos os que lhes são caro.
Aqui, comigo, tudo sobre controle. Estou bem, com saúde e em paz.
Esses dias em que fiquei sem postar pode dizer que meu irmão está bem, está limpo esses dias e temos mantido contato frequente. Estou me referindo a um deles, pois os outros eu não tenho notícias.
Ontem encontrei um brother das antigas, que estava em Reclusão por tráfico e saiu há dois meses. Ele estava com o uniforme da empresa onde está trabalhando e isso me alegrou muito. Disse estar sendo crente e que está dormindo no albergue. Disse que não tem mais nem vontade de usar, que já recebeu várias propostas para comercializar novamente, mas não pretender mais voltar ao crime. Trocamos umas ideias, falamos sobre uns brother’s que já se foram e ele seguiu o caminho dele.
Em contra partida, um grande amigo meu, que é um Policial Federal, cujo já teve conosco nos Grupos, que estava limpo há algum tempo, teve uma recaída. Ele já estava de atestado médico por conta de sua adicção. Esses dias ele fez uma insanidade e está preso novamente. Dessa vez, ele doidão, estava namorando uma garota de 15 anos há mais de um mês, ela também usuária, ele achou por bem querer interna-la, mesmo a força. Conseguiu um atestado médico e foi pegar a jovem, que se recusou. Ele chamou um taxi, amarrou a jovem, deu uns tapas nela, a jogou dentro do carro, seguiu para uma agência bancária, fez um saque, pagou ao taxista e seguiu para um posto de gasolina para abastecer. Em seguida, ele mandou que o taxista levasse a jovem para o endereço já informado, também já havia se identificado como Policial Federal e entregou um distintivo e o atestado médico. Nisso ele entrou no carro dele e voltou. O taxista seguia viagem enquanto a jovem gritava e pedia para ele parar, afirmando que aquele homem era louco, era usuário de drogas e tal. Avistando uma amiga, ela pediu para o taxista parar. Ele parou. A amiga ajudou a jovem a se desamarrar e foram todos para a casa da jovem. Chegando lá, chamaram a policia. E meu amigo foi conduzido à delegacia onde recebeu voz de Prisão e agora está sendo acusado de Sequestro. Tá a maior doideira aqui. Imagine o cara doidão, “lombrado”, ao invés de se tratar, queria era internar a menina. Agora tá rodado, podendo até ser expulso da PF.
Fazer o que, né? Se bem que estamos aqui tentando ajudar, na medida em que nos é possível.
Irei fazer este post em cima de um e-mail que recebi recentemente, de uma amiga nossa, questionando sobre como lidar com um Recluso (preso, detento) que é adicto. Trocamos algumas informações e tentei lhe repassar algo que acredito ser útil para saber como lidar nessas situações. Assim que terminei de enviar o primeiro e-mail a esta amiga, logo me veio em mente fazer um post (na real, outro post, pois já fiz um), falando sobre esse assunto. 

Realmente é complicado falar assim, alguma coisa que possa ser eficaz, de maneira imediata, para casos de Reclusos que são adictos. Sabemos que Dependência Química (DQ) é uma doença tão complexa que temos que tratar cada caso diferenciado. Mesmo que estejamos trabalhando com adictos que fazem uso de uma mesma substância, (ou das mesmas substâncias), ainda assim, cada caso é um caso. Adicção às drogas varia de indivíduo para indivíduo, em sua forma de manifestação e consequências e, consequentemente, seu tratamento e recuperação também. Por isso, não é só o fato de estarmos trabalhando com adictos e/ou com Reclusos, que as medidas são via de regra, pois existem coisas que precisam ser colocadas em evidência para que se possa saber como fazer, com que linha trabalhar... Tanto com o Recluso, quanto com o familiar.
Inicialmente eu quero fazer algumas considerações que julgo serem importantes: uma delas é no tocante à forma de ver o Dependente Químico. Isso fará toda uma diferença. É preciso saber que estamos lidando com um doente e que, como tal, tá mais precisando de ajuda do que punição. Entretanto, como Recluso, ele está sendo punido na forma da Lei, o que não deixa de ser uma situação que nos coloca em meio que a margem de nossos controles emocionais, por querer vê-lo liberto tanto das drogas, quanto das grades. Daí, então, mais do que nunca, é necessário aquele velho desligamento emocional, pois de nada ajudará você também ficar “preso(a)” a situação com sensação de impotência.

Portanto, uma coisa é vê-lo como um doente que necessita de ajuda, de tratamento etc...e outra coisa é vê-lo como um coitadinho, carente de mimo e paparicagem. Uma coisa é vê-lo com adicto e outra coisa é vê-lo com um Recluso adicto. Como Recluso, é fato que ele está (em grande maioria dos casos), colhendo o que plantou. Ele está simplesmente pagando pelo que deve. Isso em grande maioria dos casos, pois é certo que existem alguns casos em que o Réu é inocente.

Sempre digo que é mais difícil o trabalho com a família (codependentes em geral), do que com os próprios adictos, pois os codependentes sempre estão usando o emocional à frente de seu racional e em DQ o emotivo tem que vir após a razão. Em DQ, quando somos ligados ao sentimento de proteção, utilizando o emocional de forma que prive o racional, isso implica em resultados adversos aos esperados e desejados. Esse é o principal motivo de se trabalhar o chamado DESLIGAMENTO EMOCIONAL.
Aliás, independente que seja em nossa vida de relacionamentos com adictos ou não, mas viver com certo controle de nossas emoções, faz muito bem a qualquer ser humano. ...principalmente no caso de lidar com adictos.
Não que seja via de regra, mas temos a FAMÍLIA como um dos pilares onde o adicto em recuperação possa conseguir apoio. Entretanto, para que isso aconteça, a FAMÍLIA, necessariamente, tem que estar estruturada e saber como apoiar, caso contrário, será mesmo que entregar um cachimbo e uma "paradinha" pra ele usar.
O adicto é tão manipulador que busca qualquer desculpa para usar. Quando não tem desculpa, ele inventa, cria.    Por isso, é bom que a FAMÍLIA esteja disposta a ajudar, primeiramente fazendo a sua parte, que é conhecendo o problema, se colocando como se fosse o adicto, e procurando a sua recuperação também, até mesmo porque Co-dependência adoece tanto quanto a Dependência em si.
Quando falo de FAMÍLIAS, abre-se um leque enorme, pois há casos que estamos lidando com um Recluso que só tem a esposa como familiar que pode fazer visitas. Há Recluso que só tem o Pai; já outros só têm a Mãe; há quem só tenha os filhos; há quem só tenha o namorado ou a namorada; há aqueles (as) que tem toda uma família, mas que ninguém quer nem vê-lo, como foi o meu caso em minha última detenção. E cada um destes casos é uma situação diferente, pois pode acontecer (e geralmente acontece) de um dos familiares que não é favorável à visita, ser um grande empecilho para que o Recluso seja assistido por visitas familiar.
Imagine o caso em que a esposa não quer ir fazer visitas ao marido, os filhos querem, mas a mãe não permite! Imagine um caso onde a mãe quer fazer a visita ao filho, mas depende das condições financeiras do esposo e esse é totalmente contra a visita ao filho! Imagine um caso onde os pais proíbem a filha de visitar o namorado, pois são totalmente contra o relacionamento deles!
Então, como podemos ver cada caso é uma situação bem diferente e que requer discernimento para que possa ser solucionado, para que não aumente ainda mais os conflitos familiares.
Algumas vezes, para que essas pessoas possam fazer visitas aos seus familiares em Reclusão, eles têm que mentir, enganar, dizer que vão para um canto e vão para outro, dizer que precisa de dinheiro para uma coisa, sendo pra outra. Isso não é nada bom, principalmente por estarmos aqui aprendendo a lidar com ressocialização e um dos pontos fundamentais a serem trabalhados é a HONESTIDADE. Então, se a gente vai cobrar HONESTIDADE, obrigatoriamente teremos que sermos HONESTOS.    Logicamente que isso dá certo trabalho e não vai ser de uma hora para outra que o(s) familiar(es) vai abrir mão dos critérios, conceitos, pontos de vista e opiniões formadas. E isso nós também teremos que entender. Mas, sabendo contornar a situação, isso vai se resolvendo com o tempo.


Agora quero fazer referências quanto às visitas lá na Instituição. É preciso saber qual o papel dela na recuperação do Recluso adicto.  Quem já leu o meu blog, certamente já deve ter visto como eu faço referências às visitas dos amigos e familiares. Sempre que vejo algumas das minhas amigas de blog comentando que estão passando por estas situações, eu chego junto e faço comentários sobre a importância da visita. A visita para quem está lá é tão importante quanto uma bússola para quem está perdido em meio ao deserto.  
A visita ao detento é tão importante quanto aquele cordãozinho que tem no paraquedas, para quem faz salto em alturas. Um detento sem visitas é como um time sem torcidas. Isso não quer dizer que os Reclusos que não recebem visitas, não terão reabilitação, ressocialização. Não, não! Não é isso! Logicamente que cada caso é um caso. Claro que existem pessoas que estão lá dentro e não recebem visitas e consegue “tirar” de boa a cadeia. Mas devemos lembrar que estamos lidando com um Recluso que é um adicto. (Se bem que grande maioria dos Reclusos dos Sistemas Prisionais são adictos). Devemos lembrar que estamos lidando com um Recluso que é um adicto e que não está em Recuperação. Cada visita deveria ter uma finalidade e não somente suprir a ausência do contato do Recluso com o mundo exterior aos muros.  Cada visita deveria ter uma finalidade específica, considerando cada Recluso que a está recebendo. Cada visitante deveria saber qual o seu papel ali como tal, fazendo com que a visita em si seja propiciadora de momentos de reflexão por parte do Recluso, fazendo-o reconhecer que a liberdade não necessariamente está no livre direito de ir e vir, mas também no livre arbítrio de escolhas, de decisões, de ações, etc.

Muitos dos Reclusos que ali estão já chegaram ali sendo detentos do Submundo do Sistema. Grande parte dos Reclusos foram apenas transferidos para presídios e penitenciárias, mas na real, na real, já estavam presos às drogas, mesmo nas ruas.
Por isso, é interessante que cada visitante saiba como fazer nas suas idas às Unidades Prisionais, para que aquelas visitas não sejam apenas meras visitas, simples passar tempo e matar saudades. É interessante que cada visitante saiba como "trabalhar" para que àquele que o recebe lá dentro, possa aderir ao processo de reabilitação e reinserção social, pois o que deveria ser responsabilidade do Estado, (sabemos que não é), passa a ser somente responsabilidade nossa.
Assim sendo, considero a visita a um Recluso como fundamental para que ele não se sinta sozinho, vendo alguns outros recebendo visitas e ele sentindo-se excluído e rejeitado. Mas também é importante que saibamos como fazer e o que fazer em cada visita. Não sendo assim, é só se colocar em situação de risco (haja vista as condições de superlotação dos sistemas penitenciário, propício a rebeliões constantes). Pergunte a minha esposa o que é passar uma rebelião lá dentro que ela vai te dizer o que é um inferno.
 

Sempre que puder, façam uma visita. Sempre que puder, façam visitas não somente ao seu familiar, mas façam visitas a quanta pessoas vocês puderem, independente de ser numa Instituição Correcional ou de Tratamento. Solidariedade é algo que dignifica o ser humano e que alegra nossa alma, no deixando mais felizes e gratos pela Dádiva de dar, ao invés de receber. O que de fato recebemos são as Dádivas Divinas.
Alguns outros fatores também são interessantes serem considerados quando do lidar com Recluso adicto, como, por exemplo, ligação dele com amigos ou comparsas, trabalho (se mantinha ou não), quanta vez já passou ou submeteu-se a tratamento e detenções, medicações que faz ou fez uso, outras comorbidades, etc...   Isso são pequenos detalhes, mas que faz diferença na hora de direcionar um alguma atividade que possa auxiliá-lo (o Recluso) lá onde ele encontra-se, ou seja, não que as famílias vão lá para desenvolverem atividades, mas que as visitas sejam de forma mais assertivas, desenvolvidas com critérios que possam auxiliar na reabilitação dele como Recluso e recuperação dele como adicto.
Uma coisa é tratar um Dependente Químico quando em liberdade e outra coisa é tratar de um Dependente Químico quando em Internação e outra coisa é tratar de Dependente Químico quando em reclusão.
A FAMÍLIA pode (e deveria) ser um dos pilares fortes para o auxílio na recuperação do adicto, entretanto,  TODA RESPONSABILIDADE DE RECUPERAÇÃO RECAI SOBRE O ADICTO. O adicto é quem é responsável pela sua recuperação. É ele (o adicto) quem deve reconhecer que precisa de ajuda, que deve aceitar ajuda e que deve se ajudar também, facilitando para que os que o apoiam, possa fazer a parte que vos cabe. Diante disso, qualquer conduta errônea que o leve a Reclusão, não pode ser considerada como uma falha da família. Ou seja, a família não foi responsável pelos erros dele. E quando em Reclusão, caso o comportamento dele lá dentro não seja o mais correto e o mesmo ainda continue fazendo uso de substâncias, também não deve a família se culpar por isso. Não foi a família quem colocou forçadamente a substância nas mãos e na boca dele. Não foi a família quem o obrigou a usar. Foi ele quem foi procurar. Foi ele quem teve a iniciativa de ir atrás.
POR QUE ELE NÃO FOI ATRÁS DE ALGUÉM PARA AJUDÁ-LO A NÃO USAR?    (nem todos Reclusos são usuários).
POR QUE ELE NÃO FOI ATRÁS DE ALGUM LUGAR PARA ELE COMPARTILHAR A SOBRIEDADE? (Tanto os que estão em liberdade, quanto os que estão em Reclusão, conseguem encontrar onde compartilhar).
POR QUE ELE NÃO FOI ATRÁS DE MEIOS PARA CONTINUAR LIMPO??????????
Resumindo, foi ele quem usou de pretextos para usar. Ele queria apenas uma desculpa para usar. E digo mais ainda.....quando um adicto usa de desculpas para usar e o familiar vai de encontro, dizendo que isso foi desculpa dele, que era isso mesmo o que ele queria, isso faz com que ele perceba que os seus "geniais planos manipuladores" já não estão mais tão bem aplicados e eficazes. Porém, quando ele usa de desculpas para usar e o familiar concorda assim de cara que realmente ele teve motivos para usar, que o local favorece o uso, que realmente ele tinha que usar para suportar a Reclusão, ou que teve culpa para que ele recaísse....pronto!!!    É o que ele queria. Daí pra frente ele vai querer sempre alimentar-se de que tem todos os motivos do mundo para usar, pois tem sempre "alguém" ou “algo” fazendo com que ele use.
Então, embora reconheças que não estás auxiliando para um bom andamento do tratamento e recuperação dele, ainda assim, tenhas sempre em mente (e deixe claro isso para ele também), que  TODA RESPONSABILIDADE DE RECUPERAÇÃO RECAI SOBRE O ADICTO.
Só o passo que a família está dando de querer ajudá-lo já é um passo importante para que possas buscar conhecimento de como fazê-lo. Só o fato de buscar conhecimento de causa, já dá base para fazer as coisas com coerência, o que é fundamental para que possamos conseguir os resultados esperados e desejados...ou, pelo menos, reduzir os danos causados pela adicção ativa e, consequentemente, a  Co-dependência. (Trata-se aqui de uma política de Redução de Danos do MS).
O que mandar lá para dentro? Com que frequência mandar? 


Esse é um ponto onde muitas famílias falham. Normalmente as famílias se preocupam tanto com a situação do seu Recluso, que se pudesse, trocaria a sua liberdade pela Reclusão dele. Geralmente as famílias mandam tanta coisa lá pra dentro, que ele nem tem como guardar tudo e, como não podia ser diferente, negociam os pertences que, muitas vezes, foi adquirido de forma tão esforçada, suada e endividada...
Alguns Presídios e Penitenciárias não permitem a entrada de alimentos. Já outros permitem, e há famílias que fazem questão de levar todos os dias o almoço do familiar.
Quanto à higiene pessoal, grande parte do que entra trazido pelas visitas, são usados como moeda de troca. Por isso, é interessante fazer uma política de administração dos materiais que devam ser levados para os Reclusos e de que forma quantitativa e periodicidade isso deva ser feito. Não é bom que seja levado constantemente e nem em grandes quantidades. Levando em grande quantidade, até o básico vira supérfluo. Alguns aqui podem até dizer: “mas ninguém leva nada em grandes quantidades lá pra dentro!”.....errado! Há, sim, quem leva grandes quantidades. E digo mais ainda. Você acha que dois sabonetes são grande quantidade?  Bom! Dependendo da situação, sim. Se houver visitas semanais, logicamente que dois sabonetes são grande quantidade para ser levado semanalmente. E há famílias que faz isso, pois ele diz que usa muito, que tem que tomar banho direto para não pegar doenças e tal...aquele velho papo que a gente já conhece.
Algumas Instituições Correcionais não são permitidas levar roupas, pois são usados uniformes. Mas há algumas que não há uniformes e as roupas são trazidas pelas visitas. Isso é outro problema, pois vira comércio na certa. Tem família que pensa que o Recluso tá trabalhando com modas e leva tanta roupa de grife, que nem quando ele estava solto usava.
Livros é uma opção excelente. Entretanto, é bom saber se ele está se identificando com a leitura e tal. Existem várias literaturas que pode auxiliar tanto ele, quanto a família. A propósito, é interessante que a família procure frequentar algum Grupo de Nar-Anon.
Também é bom que ele esteja tendo contatos com outros adictos em recuperação, que podem ser outros Reclusos e/ou alguém do H&I (Comissão de Hospitais e Instituições da Irmandade de Narcóticos Anônimos) que tenha na Instituição.
Faço aqui um pequeno comentário sobre as visitas. Se não souberem conduzir a visita logo na primeira vez, o Recluso aproveitará a fragilidade, o nervosismo, a tensão e a inexperiência do visitante, e aí será ele quem a conduzirá...e todas as demais visitas serão conduzidas por ele. Aí, vai ser mesmo que a família tá indo lá somente para matar a saudade.
- Como conduzir a visita? Se chega bravo(a), carinhoso(a), se conversa coisas legais, coisas sérias. Usemos o bom senso aqui: - suponhamos que você esteja preso(a) há um bom tempo. (Quando digo bom tempo, pode ser até mesmo um dia, pois prisão, nem de ventre é bom. Por isso, um dia preso equivale há uma eternidade aqui fora). Então, suponhamos que você esteja lá, preso(a) há um tempão e chega seu familiar. Pergunto-lhe: - O que gostaria que ele falasse? - Gostaria que ele viesse brigando contigo? -Gostaria que ele viesse com ignorância para contigo? -Como reagirias se ele te abordasse assuntos não convenientes para com a situação? -Acharias legal ele ficar o tempo todo chamando sua atenção pelo erro que te fez estar ali? - Irias gostar de ser colocado(a) novamente no banco do réu?
Bom....estas perguntas deixo a vosso juízo respondê-las. Sua própria consciência é quem vai te responder. Entretanto, o que eu sugiro é que deve, sim, tocar em assuntos que o faça refletir sobre a sua vida pregressa, não o martirizando, mas de forma compreensiva e sutil, para que ele entenda que errou e que isso trás consequências. Mas atenção! Seria interessante que fosse de uma forma que ele ficasse reflexivo após sua saída da Instituição e não no momento da visita, pois pode atrapalhar toda uma permanência sua naquele dia, bem como em outras eventuais oportunidades.
Muitas vezes, é necessário um trabalho bem minucioso e talvez de forma sutil, para que os aspectos tais como disciplina, autoridade, pontualidade, etc, possam ser trabalhados. Teoricamente isso faz parte do Projeto de Ressocialização dos Sistemas Penitenciário Brasileiro, segundo o próprio Ministério da Justiça. Inclusive, recentemente, foi anunciado que o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) do Ministério da Justiça, vai disponibilizar R$ 4 milhões para ressocialização de Reclusos Ministério da Justiça reserva R$ 4 milhões para ressocialização de presos.  Entretanto, vai ver isso na prática como funciona! Ou melhor, não funciona...cadeia no Brasil não ressocializa ninguém. Muito ao contrário, piora ainda mais o indivíduo. Ele entra lá com uma pensão alimentícia e saí de lá com curso de especialização em furtos de carro, tráfico de drogas e principalmente, estelionato, que é o que mais tem dentro das Unidades Prisionais, é detentos dando golpes através de ligações. 
O que mais temos são Unidades Correcionais superlotadas, com mais que o dobro da capacidade. Como se podem aplicar medidas socioeducativas, etc, à uma super lotação, onde consequentemente falta estrutura de alojamento e, em contra partida, facilita motins?

Esse dinheiro que será disponibilizado??   Rum!!   Num quero nem falar sobre isso.
Como falei anteriormente, é interessante a participação da FAMÍLIA no processo de ressocialização do Recluso, haja vista que o Estado deixa muito a desejar, portanto, se ele não tiver o apoio, a estrutura FAMILIAR bem solidificada, certamente terá mais dificuldade de conseguir um retorno social de forma lícita, íntegra e produtiva.
Volto a dizer, que isso não significa que os Reclusos que não têm visitas e nem FAMÍLIA, obrigatoriamente estão impossibilitados de conseguirem se reabilitar. Não é isso! É tanto que eu "morei" um tempo numa cela com um Recluso que não tinha visitas. A FAMÍLIA o abandonou quase por completo, com exceção de uma irmã que lhe fazia visitas a cada dois meses, pois morava no interior do Estado, porém, este cidadão estava totalmente reabilitado e o tempo em que passou no Presídio foi bem maior que o tempo previsto em Lei, pois ele estava totalmente desassistido de Defensor Público, não tinha ninguém acompanhando o Processo e o caso dele era um Furto na residência de um Juiz de Direito. Isso fez ele mofar na cadeia....mesmo assim, estava consciente de sua vida errônea, e deu início a uma nova maneira de viver após encontrar uma oportunidade de conhecer pessoas que haviam passado pelos mesmos problemas e estavam conseguindo superar, um dia de cada vez.
É preciso ter BOA VONTADE, MENTE ABERTA E HONESTIDADE...sem isso, dificilmente há recuperação. Se ele acha que ainda tem poder sobre as drogas, lamento por ele.....não vai parar de usar enquanto não reconhecer que perdeu para as drogas. Enquanto não reconhecer que é impotente perante uma dose, por menor que seja... Enquanto isso não acontecer, ele jamais irá manter-se limpo. Como diz a Literatura de NA, “Um adicto que não queira parar de usar, não vai parar de suar. Pode ser analisado, aconselhado, pode se rezar por ele, pode ser ameaçado, surrado ou trancado, mas não irá parar até que queira parar”.
Lembrando que não sou dono da razão e quaisquer colocações minhas aqui, todos têm o total direito e liberdade de rebatê-las, de forma que possamos refiná-las para que tenhamos condições de obter os resultados desejados e esperados.
Desejo a todos felicidade e saúde, e que possam desfrutar de bons momentos.
Abração e TAMUJUNTU.
Júnior.

4 comentários:

  1. Oi meu amigo, que postagem maravilhosa, nossa muito bem explicada e exposta!!!
    Primeiro, feliz por vc estar bem e pelo seu irmão estar se firmando novamente, agora, triste com essa história do seu amigo, quanta insanidade né?
    Mas, parabéns pela postagem, adorei!
    Abraços

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  2. Valeu, Giulli!
    Realmente é muita insanidade, oh!
    Saudades de vc, amiga!
    Abração......e TAMUJUNTU, visse?

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  3. Como sempre suas postagens dão um show meu amigo.
    Obrigada por nos trazer tanta informação útil.
    Que Deus ajude seu irmão a se firmar cada vez mais.
    Tamujuntu.

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  4. Olá companheiro, gostei muito do post, me ajudou bastante. Gostaria que lesse o meu blog e comentasse, preciso de retornos para saber se estou no caminho certo.

    O endereço: http://waladicto.blogspot.com.br/

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